A academia pode assumir um papel estratégico na disseminação de conhecimentos sobre previdência e seguros, especialmente por oferecer uma abordagem considerada mais neutra em relação aos produtos e às instituições do setor. A avaliação foi apresentada por Osvaldo Nascimento, presidente do Conselho Superior da ANSP, durante o XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada da FenaPrevi, realizado em São Paulo.
Segundo Nascimento, a educação securitária e previdenciária historicamente enfrentou uma dificuldade: quando a informação parte diretamente de seguradoras, entidades de classe ou órgãos reguladores, pode ser interpretada como uma comunicação vinculada aos interesses daquela instituição.
Nesse cenário, a participação de universidades e escolas poderia contribuir para ampliar o acesso ao conhecimento e apresentar os conceitos de forma independente, especialmente entre estudantes e jovens que ainda estão começando a lidar com decisões relacionadas a proteção financeira e planejamento de longo prazo.
“O papel da academia é dar neutralidade para que o aluno ou o receptor da informação saiba que aquela mensagem é neutra. A partir daí, ele consegue compreender melhor os conceitos e tomar suas próprias decisões sobre previdência e proteção”, afirmou.
Educação desde a formação
Para Nascimento, a educação previdenciária não deveria ser apresentada apenas quando o indivíduo já está próximo da aposentadoria. O contato com esses conceitos pode começar ainda durante a formação escolar e acompanhar diferentes etapas da vida.
A proposta envolve ampliar o conhecimento sobre temas como planejamento financeiro, formação de reservas, proteção de renda e funcionamento da Previdência, permitindo que o indivíduo compreenda desde cedo a importância de se preparar para o futuro.
O executivo também destacou a atuação conjunta entre academia, entidades do setor, universidades e escolas básicas na construção de iniciativas voltadas à educação financeira e previdenciária.
A estratégia pode contribuir para reduzir uma das dificuldades apontadas ao longo do fórum: a distância entre a necessidade de proteção e o conhecimento da população sobre os produtos disponíveis. Ao apresentar conceitos antes da decisão de compra, a educação pode ajudar a formar consumidores mais preparados para avaliar diferentes alternativas.
Além de contribuir para decisões individuais, a iniciativa também pode fortalecer a compreensão sobre os desafios da Previdência brasileira em um cenário de envelhecimento populacional e transformação das relações de trabalho.
Nesse contexto, a academia aparece como uma ponte entre conhecimento e sociedade, ajudando a transformar educação previdenciária e securitária em uma ferramenta de formação de longo prazo, e não apenas em uma comunicação associada à contratação de produtos.

