O primeiro semestre de 2026 confirmou uma tendência relevante para o setor segurador: o volume de veículos leiloados no Brasil permanece concentrado em categorias de alta circulação, como automóveis populares, motocicletas urbanas, caminhonetes de trabalho e SUVs compactos.
Segundo levantamento da Infocar, empresa de dados veiculares com a maior base de leilão do país, automóveis e motocicletas responderam por cerca de 74% do volume movimentado no período. Entre os modelos de destaque estão Volkswagen Gol, Chevrolet Onix, Fiat Argo, Fiat Strada, Honda CG e Jeep Renegade.
Para as seguradoras, esses dados revelam um contingente crescente de veículos que precisam de cobertura, mas frequentemente esbarram em processos de aceitação baseados em premissas genéricas sobre “carros de leilão”.
O ponto cego da aceitação de risco
Algumas empresas fazem uma análise menos aprofundada em veículos ofertados em leilão, sem considerar o score de danos, o que pode levar a uma analise menos assertiva quanto a aceitação ou precificação destes veículos, podendo ocasionar ou a recusa de veículos em boas condições como em aceitação de veículos que deviam ser recusados.
Recusar sistematicamente esse universo significa abrir mão de negócios relevantes. A alternativa mais segura e rentável é diferenciar o risco com base em informações como motivo do leilão, extensão dos danos, qualidade do reparo, regularidade documental e compatibilidade entre laudo e identificação física.
Como os dados qualificam a análise
Por meio de uma consulta detalhada, é possível tomar decisões mais seguras e precisas. Com soluções de tecnologia embarcada e mais de 25 anos de expertise no setor automotivo, a Infocar traz segurança adicional para a tomada de decisão das seguradoras.
A Infocar cruza informações veiculares e, para as seguradoras, essa inteligência aprimora a análise em três frentes:
Segmentação do risco: permite diferenciar leilões decorrentes de recuperação de financeira ou de seguradora.
Verificação da identidade: o cruzamento de chassi, numeração e histórico ajuda a identificar indícios de adulteração ou clonagem antes que se transformem em sinistros fraudulentos.
Consistência entre histórico e vistoria: integrada a soluções de vistoria fotográfica e inspeção assistida por inteligência artificial, como o Infovist, a base possibilita confrontar a condição declarada com evidências reais.
Além disso, a Infocar desenvolveu o Iauto Danos, uma ferramenta que analisa as fotos do veículo no momento da oferta no leilão e apresenta um croqui com os danos existentes naquele momento sendo categorizado em 3 cores: amarelo (pequenas avarias), laranja (danos médios) e vermelho (grandes danos).
Esse cruzamento substitui a recusa genérica por uma aceitação criteriosa, abrindo espaço para produtos competitivos sem comprometer a disciplina técnica.
Oportunidades por categoria
Os dados também indicam onde tende a surgir maior demanda por apólices:
- Automóveis populares: cerca de 54% do volume, com alta padronização de peças e potencial para seguros populares com regras calibradas.
- Motocicletas: aproximadamente 20%, impulsionadas pela mobilidade urbana e pelo trabalho em aplicativos.
- Caminhonetes: em torno de 8%, com alta próxima de 40% em junho e forte presença no agronegócio, nos serviços e no uso comercial.
- SUVs e camionetas: cerca de 5%, também com crescimento de quase 40% em junho. Por terem maior valor e sistemas eletrônicos mais sensíveis, exigem análise prévia ainda mais rigorosa.
Para José Homero de Oliveira Santos, Head de Customer Success, relacionamento e estratégia da Infocar, o principal problema não é necessariamente o risco, mas a falta de informação:
“Quando a seguradora tem acesso a dados estruturados sobre origem, histórico e condição real do veículo, deixa de recusar por precaução e passa a precificar com precisão. A seguradora ganha negócio qualificado, e o segurado, acesso a uma cobertura justa.”
Mais negócio com menos risco
A decisão não deve se limitar à pergunta “teve passagem por leilão?”. É necessário avaliar a origem do leilão, a consistência do histórico, possíveis adulterações, a qualidade dos reparos e a concentração desse perfil na carteira.
Soluções como a base de leilão da Infocar, reduz a assimetria entre o que é declarado e a condição real do veículo.
A oportunidade, portanto, não está em flexibilizar critérios, mas em substituir regras genéricas por análises individualizadas. Com dados confiáveis, seguradoras e insurtechs podem ampliar sua atuação, precificar melhor e aceitar riscos com mais segurança e rentabilidade.

