Evolução tecnológica foi o centro das discussões do painel “Tecnologia Transformando a Assistência à Saúde”, realizado no CQCS Inovação 2025, em São Paulo. O debate reuniu Cláudio Albuquerque, diretor de Gestão de Saúde da MDS Brasil, Eduardo Kolmar, diretor Executivo e líder de People Solution da Lockton, e Nadine Della Giustina, CEO da Expermed, que apresentaram experiências práticas sobre como a inovação vem remodelando o setor de saúde e o papel das seguradoras.
A conversa destacou um ponto comum entre os painelistas: a necessidade de migrar de um modelo de gestão reativo, focado no pagamento de sinistros, para uma atuação preventiva e orientada por dados. “O modelo antigo, em que o evento acontece e a seguradora paga a conta, está se tornando insustentável. A tecnologia é a principal alavanca para transformar esse cenário”, afirmou Nadine Della Giustina.
Cláudio Albuquerque ressaltou o papel dos programas de atenção primária e da integração de informações para melhorar o acesso e a experiência do usuário. Segundo ele, “um dos grandes desafios do sistema de saúde é o acesso. Mesmo com um plano, o atendimento nem sempre é simples. Nosso foco é usar dados e interoperabilidade para mudar isso”. Ele destacou ainda os investimentos da MDS em business intelligence e modelagem preditiva, que permitem identificar “pessoas que não estão doentes hoje, mas que têm grande chance de adoecer no futuro”, possibilitando ações preventivas mais assertivas.
Já Eduardo Kolmar trouxe a perspectiva da Lockton sobre o uso de dados e tecnologia para otimizar custos e mitigar riscos. “A inteligência artificial se tornou um mecanismo essencial dentro da gestão de riscos. Quanto mais dados coletamos, mais conseguimos atuar de forma preventiva e individualizada”, observou.
O executivo enfatizou o impacto da fraude e do desperdício nos custos do sistema e como o uso de algoritmos e cruzamento de dados tem ajudado a identificar padrões anormais de comportamento e uso.
O painel também abordou o desafio da segurança da informação e da confiança no compartilhamento de dados de saúde, um ponto sensível diante do avanço da digitalização. Para Kolmar, “dados de saúde são sensíveis e precisam ser tratados com muito mais cuidado que qualquer outro tipo de informação. O compartilhamento responsável é o que permitirá ganhos reais de eficiência”.
Encerrando o debate, Nadine Della Giustina reforçou que inovação deixou de ser opcional. “A telemedicina, a análise de dados e a inteligência artificial estão transformando radicalmente a forma como cuidamos das pessoas. Inovar não é mais uma escolha, é uma necessidade para garantir sustentabilidade e qualidade no sistema de saúde”, disse.

