A inflação voltou a acender o sinal de alerta na economia brasileira. De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central e repercutido pela Agência Brasil, a projeção para o IPCA de 2026 subiu para 5,09%, marcando a 12ª alta consecutiva das estimativas do mercado e ultrapassando o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Entre os fatores apontados para a pressão inflacionária estão o aumento dos preços dos combustíveis e os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a economia global.
Segundo o consultor econômico Francisco Galiza, os efeitos da inflação acima da meta ocorrem em duas direções. “Primeiro, o resultado financeiro das seguradoras tende a aumentar, já que haverá uma elevação nos juros. Por outro lado, há um impacto negativo, pois a inflação afeta o poder de compra de bens e, consequentemente, reduz a demanda indireta no mercado de seguros”, explica.
A relação ocorre porque juros mais elevados costumam ser utilizados pelo Banco Central como ferramenta para controlar a inflação. Segundo a Agência Brasil, a taxa Selic permanece em patamar elevado justamente para conter a alta dos preços, o que acaba encarecendo o crédito e reduzindo o consumo.
Na prática, isso pode afetar especialmente segmentos ligados à aquisição de bens financiados. Galiza destaca que os ramos associados ao crédito de longo prazo costumam sentir os efeitos antes dos demais. “Eu apontaria aqueles que envolvem financiamento a longo prazo, como o de veículos. No entanto, o segmento de automóveis está performando muito bem este ano devido a um programa de incentivo do governo para a compra de veículos. Esse programa tem impulsionado a venda de carros novos, o que pode mitigar ou camuflar o impacto real da inflação nesse setor específico”, detalha.
Além do comportamento do consumidor, a inflação também influencia diretamente os custos das operações das seguradoras. O aumento dos preços de peças, equipamentos, serviços e mão de obra impacta os valores de reposição utilizados na precificação dos riscos. “À medida que os novos seguros forem emitidos, eles serão baseados nessas novas projeções de custo, o que inevitavelmente alterará o valor do prêmio para cima”, analisa.
O cenário exige atenção não apenas das seguradoras, mas também dos corretores, que passam a desempenhar um papel ainda mais importante na conscientização dos clientes sobre a necessidade de proteção financeira. “A abordagem deve seguir o que sempre foi feito com sucesso: mostrar a importância do seguro, disseminar a cultura securitária e evidenciar os riscos aos quais o segurado está exposto. A estratégia comercial permanece a mesma, posicionando o corretor como o verdadeiro representante do cliente junto às companhias seguradoras”, destaca.
Apesar do avanço das projeções inflacionárias, Galiza avalia que não há motivo para alarmismo excessivo. “Vale ressaltar que, embora a inflação esteja um pouco acima da meta, oscilando entre 4,5% e 5,5%, ela ainda não está descontrolada. Não é o fim do mundo e não devemos superdimensionar o problema além da realidade atual”, avalia.
Com a inflação pressionando o custo de vida e influenciando as decisões de consumo, o mercado de seguros deverá continuar acompanhando os próximos movimentos da economia. Para especialistas, o desafio será equilibrar custos, preservar a demanda e reforçar o papel do seguro como instrumento de proteção patrimonial e financeira em períodos de maior incerteza.

