Durante mais um episódio do Comentário Econômico com Paulo Alexandre, veiculado pelo canal GRTV no YouTube, o consultor e economista Francisco Galiza destaca que o seguro também faz parte quando os assuntos são educação e inclusão financeira. Com base no estudo “Insurance as a Core Element of Financial Inclusion in Emerging Economies” (O seguro como elemento central da inclusão financeira em economias emergentes), realizado pela The Geneva Association e escrito por Kai-Uwe Schanz, Diretor de Inclusão Financeira, Associação de Genebra, o especialista explica e diferencia três elementos fundamentais para a educação financeira: poupança, crédito e seguro.
Uma das ferramentas destacadas pelo estudo foi a poupança, que tem como objetivo principal permitir que os indivíduos acumulem riqueza para consumo futuro ou investimento. Funcionando como um mecanismo de autoseguro, em que cada pessoa utiliza suas economias pessoais para se proteger contra imprevistos, a poupança oferece segurança individual e contribui para o desenvolvimento econômico ao criar uma rede de proteção e ao gerar fundos que podem ser destinados a investimentos.
Como citado no estudo da The Geneva Association, o crédito também é uma modalidade fundamental no que diz respeito à educação financeira. Com finalidade de fornecer acesso a fundos necessários para atender a necessidades imediatas de consumo ou investimento, no crédito, o risco recai sobre o mutuário, que deve reembolsar o empréstimo independentemente das circunstâncias, e os credores avaliam cuidadosamente a solvência do solicitante para mitigar riscos de inadimplência. Dessa forma, desempenha papel crucial no desenvolvimento econômico, pois possibilita a realização de atividades empreendedoras e permite suavizar o consumo ao longo do tempo, incentivando o crescimento de negócios e da economia em geral.
Como tema central do estudo, o seguro também foi ressaltado como uma ferramenta efetiva para a educação financeira, pois é destinado uma proteção contra eventos futuros incertos e perdas financeiras, funcionando por meio da partilha de riscos entre um grande grupo de indivíduos, o que reduz a exposição individual. Segundo o “Insurance as a Core Element of Financial Inclusion in Emerging Economies”, o seguro contribui para o desenvolvimento econômico ao oferecer resiliência financeira contra eventos adversos, incentivando e protegendo o investimento e o consumo.
Além disso, durante o episódio, Galiza também enfatizou o comparativo de proteção entre países considerados emergentes, como o Brasil. Segundo o estudo avaliado pelo economista, China, Índia e África do Sul têm maior nível de familiaridade com os seguros, impulsionado por ecossistema de superaplicativos digitais, programas de inclusão financeira liderados pelo Estado e tradições de seguros culturalmente enraizadas, como os planos funerários. A China e Índia lideram o uso de seguros, com aproximadamente três quartos dos entrevistados possuindo pelo menos um tipo de cobertura.
“Em todos os mercados, pelo menos 70% dos entrevistados consideram o seguro útil, enquanto o empréstimo é considerado o menos útil no geral. O seguro é percebido como essencial para a proteção de ativos e resiliência a choques, enquanto a poupança predomina nas decisões relacionadas a grandes eventos da vida e planejamento de longo prazo”, escreveu Kai-Uwe Schanz.
Apesar de haver um gap de proteção no Brasil, Francisco Galiza acredita que o microsseguro é uma alternativa para expandir o amparo às famílias. Quando questionado qual seria a ferramenta ideal para revolucionar o mercado, como o PIX revolucionou o mercado bancário brasileiro, Galiza conclui que “na área de seguros, é o microsseguro ou seguros inclusivos. Seria o mercado oferecer seguros baratos, de fácil liquidação, venda, cobertura simplificadas e uso intensivo de tecnologia”.

