Apenas uma pequena parte dos endinheirados mantém bens segurados – a maioria contrata empresas de fora. Mas as nacionais contam agora com a valorização do real para mudar esse quadro. Motos e carro estão na mira
No Brasil, entre 15% e 20% do segmento de alta renda está bem segurado. Os 80% restantes não têm qualquer tipo de seguro ou apresentam produto inadequado ao perfil deles, explica o vice-presidente de Linhas Personalizadas de Seguros da Chubb do Brasil, Sidney Munhoz. Como comparação, nos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Japão, 80% do público de alta renda mantém os bens segurados.
Na Chubb do Brasil, são feitos seguros para “home theater”, jóias, obras de arte, embarcações, residências e automóveis importados. Mas, para cada caso, são estipulados diferentes volumes. Fazem parte da carteira da empresa apenas as residências com valores superiores a R$ 1 milhão. Os barcos precisam ultrapassar R$ 300 mil. O mínimo para os automóveis de luxo é R$ 100 mil. Além da cobertura, a Chubb do Brasil ainda inclui, no pacote do seguro, benefícios atrativos ao dia-a-dia do consumidor, como reposição da parte danifi- cada com peças originais, livre escolha de oficinas e cartão de crédito com seguro de perda e roubo.
HÁ 10 ANOS NO BRASIL, a Chubb é pioneira na atuação com o público de alta renda. No entanto, foi nos últimos cinco anos que a carteira da seguradora, em número de contratos, registrou aumento de cerca de 1.000%, afirma Munhoz. Apesar do expressivo crescimento, há espaço para muito mais.
“O potencial é enorme no país em 2008, principalmente, a partir da abertura de mercado de resseguros que vai facilitar ainda mais as empresas multinacionais, como a Chubb. Será possível trazer para cá coberturas não encontradas”, diz Munhoz.
No passado, era comum a contratação de seguros de vida no exterior. O cenário foi sendo alterado a partir da estabilidade da economia brasileira, que tornou o setor de seguros nacional mais competitivo. A opção pelo seguro de vida no Brasil, em detrimento ao feito lá fora, foi impulsionada, principalmente, pela valorização do Real em relação ao dólar.
Ainda contam a favor dos seguros contratados por aqui as alterações ocorridas na legislação brasileira – que passou a exigir mais responsabilidade das pessoas envolvidas nos danos – e as regras de outros países, que não ajudam a pessoa a recuperar o dinheiro do seguro contratado lá fora (como em eventuais imprevistos com a empresa).
Na Mapfre, o seguro de vida para capitais elevados existe há somente três anos, diz o diretor – executivo de Risco Pessoais da empresa, Caio Valli. São contratos entre US$ 200 mil e US$ 300 mil. O valor exato e o aval para o negócio vão depender da análise detalhada da saúde e do perfil financeiro do cliente. Em 2007, o volume de contratos de seguros para grandes fortunas na Mapfre foi cerca de 50% superior em relação ao ano anterior. Valli explica que, com a valorização do real, os custos do seguro aqui e lá fora ficaram equivalentes.
O Brasil ganhou upgrade como país de potencial para investidores. Ações de empresas tradicionais devem subir em 2008
NO SEGMENTO DE AUTOMÓVEIS, o número de seguros para carros importados, neste ano, subiu 220% em relação ao ano anterior. Um dos principais motivos foi a parceria da Mapfre com a rede de concessionárias Mitsubishi, que passou a oferecer produtos da seguradora aos clientes.
Na Mapfre, há dois produtos para alta renda no segmento de automóveis. Um deles é o “Automais Gold”, para veículos acima de R$ 80 mil. O segundo produto é o “Duas Rodas Special” para cobertura de motos de alta cilindrada, com valores entre R$ 16 mil e R$ 150 mil. Foi lançado em julho e tem vendido, em média, 15 mil seguros por mês.
As motos de luxo são geralmente importadas, como as americanas Harley Davidson, a italiana Ducati e as orientais Honda, Suzuki, Honda e Yamaha. O preço de cobertura das marcas varia de 15% a 25% do valor da moto. Em relação aos automóveis, o preço da cobertura pode variar de 4,5% a 9% do valor de cada veículo.
Tradicionalmente, o preço do seguro para automóveis no mercado local sempre foi mais em conta do que lá fora. Na Europa, quando há acidentes, a preocupação é com a responsabilidade civil e não com o dano do veículo, como ocorre aqui. Por isso, o custo de uma cobertura total de um seguro no exterior pode chegar ao dobro do valor ofertado no Brasil.
ENTRE OS CARROS IMPORTADOS, O NÚMERO DE SEGUROS SUBIU220% EM RELAÇÃO A 2006. SEGURADORAS FAZEM PARCERIAS COM CONCESSIONÁRIAS
O PAÍS GANHOU CREDIBILIDADE DE INVESTIDORES. E AÍ?
O “upgrade” das agências classificadoras de risco (rating), previsto para 2008, para o investimento no Brasil é positivo. Vai permitir que investidores internacionais tenham aval para aplicar dinheiro no mercado de capitais. Nada mais natural do que começar pelas ações das empresas tradicionais (Vale, Petrobras, bancos). Mas este não é o principal fator para as ações subirem em 2008, explica o superintendente de Renda Variável, do Banco Itaú, Walter Mendes. “A projeção do lucro das empresas é o componente que deve impulsionar maior ganho para as ações em 2008”, afirma.

