A redução no preço do seguro de alguns carros populares observada em junho não significa, necessariamente, que o mercado esteja passando por uma queda generalizada. Os dados fazem parte de um estudo realizado pela Creditas Seguros, que identificou reduções nos valores de apólices de determinados modelos no período. As diferenças entre seguradoras, veículos e perfis de segurados, no entanto, fazem com que um mesmo carro possa apresentar preços bastante distintos dependendo da companhia consultada.
A avaliação é de Carlos Pelais, coordenador da Comissão de Automóvel do Sincor-SP, que chama atenção para a importância de analisar os dados de cada seguradora antes de interpretar uma redução de preços como uma tendência geral do mercado.
“Eu não diria que estamos vendo uma queda generalizada no preço do seguro de automóvel. O que existe é uma variação muito grande entre seguradoras, modelos de veículos e perfis de segurados”, afirma. Segundo ele, cada companhia utiliza suas próprias estatísticas e experiência de sinistralidade para definir os valores das apólices.
Um mesmo modelo, por exemplo, pode apresentar maior frequência de roubo ou furto na carteira de uma seguradora e comportamento diferente em outra. Essa diferença interfere diretamente no cálculo do risco e, consequentemente, no preço oferecido ao consumidor.
Por isso, reduções expressivas podem aparecer em determinados modelos e perfis, mas não necessariamente representam um movimento uniforme em todo o mercado. O levantamento da Creditas Seguros ajuda a mostrar esse comportamento ao identificar variações nos preços de diferentes veículos, mas a análise individual de cada cotação continua sendo fundamental.
Concorrência amplia opções para o consumidor
A forte concorrência entre as seguradoras é outro fator que ajuda a explicar a diferença de preços encontrada nas cotações. Para um mesmo veículo e perfil de cliente, pode haver uma companhia com valor significativamente mais alto e outra oferecendo uma condição mais competitiva.
De acordo com Pelais, isso ocorre porque cada seguradora possui sua própria estratégia comercial, carteira e histórico de sinistros.
“A concorrência é positiva para o consumidor, mas não significa que os preços permanecerão sempre baixos”, ressalta.
Entre os fatores que podem influenciar os valores estão os índices de roubo e furto, o custo de peças e reparos, a frequência de acidentes e o comportamento da carteira de cada companhia. Assim, mesmo que determinado modelo esteja apresentando preços mais competitivos em um período, mudanças nesses indicadores podem alterar a precificação.
Diante das diferenças entre as ofertas, o consumidor precisa considerar outros elementos além do valor final da apólice. Cobertura para terceiros, assistência 24 horas, carro reserva, franquia, proteção para vidros e demais serviços podem variar significativamente entre os produtos.
Segundo Pelais, duas apólices com preços semelhantes podem oferecer níveis de proteção bastante diferentes.
Nesse cenário, o corretor de seguros tem papel importante na comparação das alternativas disponíveis e na orientação sobre o que efetivamente está sendo contratado.
“Escolher apenas pelo menor valor pode ser um erro”, alerta o coordenador da Comissão de Automóvel do Sincor-SP.
A recomendação é avaliar o conjunto da proteção e verificar se as coberturas atendem às necessidades do motorista. Afinal, uma apólice mais barata pode não representar a melhor escolha se oferecer uma proteção insuficiente.
“No seguro, muitas vezes, o barato pode sair caro e o consumidor precisa olhar com muita atenção para as coberturas e os serviços oferecidos. Muitas vezes, dois seguros que parecem semelhantes apresentam diferenças importantes”, conclui.

