Olho no futuro
Investimento e conhecimento são propostas para um futuro tranqüilo
Orlando Martins é aposentado há 25 anos, mas ainda não parou de trabalhar. Mesmo já tendo cumprido o tempo de serviço necessário para gozar o
merecido descanso, ele continua na ativa atuando como representante comercial – uma atividade necessária para completar sua renda: ‘O dinheiro
da minha aposentadoria não paga nem metade das minhas despesas. Se antes de me aposentar eu tivesse pensado em um plano de previdência,
tudo seria melhor, e hoje eu estaria mais tranqüilo financeiramente. Por isso, tenho que continuar trabalhando para sustentar minha família’.
O arrependimento de seu Orlando é a constatação prática de que a aposentadoria paga pelo INSS não garante uma velhice confortável. Segundo
dados do Ministério da Previdência Social, trabalhadores aposentados pela iniciativa privada têm um teto de R$1.561, enquanto os servidores
públicos recebem aposentadoria equivalente ao valor integral do último salário, o que pode oscilar entre valores que passam dos 40 mil reais (no caso
de magistrados) até um salário mínimo – que é bem mais próximo da realidade da maioria dos contribuintes.
Por isso, é válido buscar alternativas para o período de inatividade, como fazer um plano de previdência privada, como os planos oferecidos por
bancos e empresas privadas. Foi o que fez o videomaker Gustavo Godinho, que há três meses paga um plano de previdência particular. ‘A minha
preocupação com a previdência vem de algum tempo – a partir dos 20 anos, você já começa a pensar no futuro’, afirma o prevenido Gustavo. ‘Além
disso, como eu sou profissional liberal, a previdência privada é uma segurança necessária’, completa.
Estes investimentos operam de forma semelhante ao próprio INSS, com opções de Regime de Capitalização (as contribuições são armazenadas em
contas individuais, que na ocasião da aposentadoria são revertidas em benefício) ou Repartição Simples (caixa em que as contribuições dos ativos
pagam os benefícios dos aposentados). A escolha deve ser feita com cautela, já que o brasileiro costuma passar para a inatividade aos 53 anos –
bem mais cedo do que os demais países latino-americanos (onde a média é de 60 anos) e europeus (65).
Mas estas escolhas, por envolverem um futuro muitas vezes distante, nem sempre são fáceis. Por isso, o debate vem ganhando cada vez mais
espaço, até no meio acadêmico. As formandas do curso de Gestão de Recursos da FAP (Faculdade do Pará) Ana Lucia Carvalho e Lucia Corrêa se
propuseram a levantar os principais problemas enfrentados pelos aposentados e as grandes dúvidas referentes à aposentadoria e à Previdência
Social.
Baseada na proposta da faculdade de linkar os trabalhos de conclusão com necessidades práticas, a dupla pesquisou a importância da gestão de
recursos humanos na preparação do programa de aposentadoria. ‘É um tema muito esquecido. Não se costuma dar muito valor para o aposentado, e
isso nos fez analisar a situação da categoria’, afirma Lucia Corrêa.
Para Ana Lucia, a situação do aposentado é delicada justamente por causa das conseqüências da inatividade: ‘As pessoas que se aposentam ficam
perdidas, sem saber o que fazer. E existe ainda a questão dos rendimentos, que diminuem bastante para os aposentados, colocando-os em situação
difícil’, avalia.
O resultado da pesquisa – que deve ser disponibilizada para consulta na biblioteca da FAP em breve – é uma nova proposta para lidar com a situação
do aposentado no país. ‘Sugerimos a implantação de um sistema de preparação para o aposentado, com cursos e palestras que possam esclarecer
aos que ainda estão na ativa, dúvidas sobre poupança, investimentos e previdência privada, visando uma aposentadoria mais confortável’, conclui
Ana Lúcia.

