O avanço do Open Insurance pode abrir novas possibilidades para os corretores conhecerem melhor as necessidades de seus clientes, identificar lacunas de proteção e tornar o atendimento mais personalizado. Com o consentimento do consumidor, a estrutura permite o compartilhamento padronizado de informações relacionadas a seguros, previdência complementar aberta e capitalização, criando condições para uma atuação ainda mais consultiva, embora a efetiva utilização desses recursos pelos profissionais ainda dependa dos próximos avanços do sistema.
Segundo Priscila Figueiredo, advogada, corretora e CEO da Open Power, o principal potencial para a corretagem está justamente na possibilidade de reunir informações que atualmente podem estar distribuídas entre diferentes empresas. “O Open Insurance pode ampliar a atuação consultiva do corretor, porque permite, com a autorização do cliente e dentro das regras aplicáveis, o acesso a informações que hoje estão distribuídas entre diferentes empresas. Com uma visão mais completa, o corretor pode entender melhor as necessidades do cliente e tornar o atendimento mais eficiente.”
Na prática, o Open Insurance é um sistema que permite o compartilhamento autorizado de dados e serviços entre participantes do ecossistema, seguindo padrões técnicos e regras de segurança. De acordo com a Susep, o consumidor permanece no controle sobre suas informações, já que o compartilhamento de dados pessoais depende de consentimento prévio, livre, informado e inequívoco para finalidades determinadas.
A evolução dessa estrutura pode trazer mais elementos para a análise da situação de proteção de cada cliente. Informações compartilhadas com autorização podem ajudar a identificar coberturas já existentes, eventuais duplicidades e necessidades que ainda não foram atendidas, permitindo uma análise mais ampla antes da recomendação de uma solução.
Para Priscila, porém, a tecnologia não substitui a atuação profissional do corretor. “O dado, porém, não substitui o trabalho do corretor. Ele é uma ferramenta que pode tornar essa atuação ainda mais qualificada.”
O sistema continua passando por atualizações técnicas e regulatórias. Em 2026, o cronograma do Open Insurance prevê melhorias nas APIs das diferentes fases do projeto, com ajustes e novas funcionalidades voltadas à estabilidade, padronização e evolução da infraestrutura. A Susep também mantém atualizados os documentos técnicos que orientam o funcionamento do ecossistema.
Apesar desse avanço, a especialista ressalta que ainda será necessário compreender de que forma os próximos passos do Open Insurance serão incorporados à rotina da corretagem. “Mas esse potencial ainda depende de como as próximas etapas do Open Insurance serão implementadas e, principalmente, de como o corretor será inserido nessa jornada.”
Outro ponto central envolve a segurança e a proteção das informações compartilhadas. O avanço tecnológico amplia as possibilidades de utilização dos dados, mas também exige cuidados com consentimento, transparência, privacidade e governança.
“Esse é um ponto fundamental. O compartilhamento de dados precisa ocorrer com consentimento do cliente, transparência e segurança, sempre respeitando a legislação de proteção de dados”, afirma Priscila.
Segundo a especialista, a experiência do consumidor será determinante para o desenvolvimento do sistema. “O cliente precisa saber quais informações está autorizando compartilhar, com quem e para qual finalidade. Quanto maior a circulação de dados, maior também precisa ser o cuidado com segurança e governança. A inovação não pode acontecer em prejuízo da proteção e da autonomia do consumidor.”
O principal desafio, portanto, será transformar a infraestrutura já desenvolvida em aplicações capazes de gerar resultados concretos para consumidores e profissionais do setor de seguros. A evolução tecnológica, por si só, não garante que os recursos disponíveis serão incorporados à rotina comercial e consultiva.
“Para mim, o avanço do Open Insurance não deve ser medido apenas pela quantidade de APIs ou funcionalidades disponíveis. É preciso olhar para os casos de uso que efetivamente chegam ao mercado, para a experiência do consumidor e para as condições que o corretor terá para utilizar essa estrutura no seu dia a dia”, avalia Priscila.
É justamente nessa passagem da infraestrutura tecnológica para a aplicação prática que estará uma das principais discussões sobre o futuro do Open Insurance. Para os corretores, o avanço do sistema poderá representar novas ferramentas de análise e relacionamento, desde que os dados compartilhados consigam ser transformados em informações úteis para orientar decisões e melhorar a proteção oferecida aos clientes.

