Notícias | 21 de outubro de 2026

Nova política de seguros para concessões pode mudar gestão de riscos em grandes projetos de infraestrutura

A gestão de riscos em grandes projetos de infraestrutura pode mudar com a proposta do Ministério de Portos e Aeroportos para uma nova política de seguros em concessões portuárias, aeroportuárias e hidroviárias. A iniciativa prevê que a análise da segurabilidade seja feita ainda na fase de planejamento, antes da publicação dos editais.

Entre as mudanças está a criação do Estudo de Segurabilidade e Disponibilidade de Seguros, que deverá identificar quais riscos têm cobertura disponível, quais são parcialmente seguráveis e quais estão além da capacidade do mercado. A proposta também prevê alternativas como seguro paramétrico, compartilhamento de perdas e reequilíbrio econômico-financeiro para riscos extraordinários.

Para Thomaz Kastrup, sócio, e Marcelo Catania Ramos, advogado do Machado Meyer Advogados, a mudança tende a ser positiva porque altera a lógica atual de contratação. “seja precedida da verificação de sua real disponibilidade de mercado”, destacou o especialista ao explicar a proposta de que a exigência de cobertura seja precedida pela avaliação da capacidade efetiva do mercado.

Na prática, o estudo deverá considerar fatores técnicos e regulatórios, como frequência e severidade dos eventos, perda máxima provável (PML), preço, capital, solvência e capacidade de resseguro. Também estão previstas consultas à Susep e a pelo menos três corretoras ou seguradoras.

Entre os principais desafios estão eventos climáticos e hidrológicos extremos, considerados difíceis de modelar e com alta severidade. Os especialistas também citam riscos geológicos e geotécnicos e situações que não se encaixam no seguro de danos tradicional.

Obras sem histórico local, como túneis imersos, pontes de grande vazão e terminais em águas profundas, também podem dificultar a contratação de seguros de riscos de engenharia e garantias de execução.

Segundo os especialistas, quanto menor a segurabilidade, maior tende a ser o impacto em prêmios, exclusões, franquias e limites das apólices.

A proposta divide os riscos em ordinários, residuais e extraordinários. Para estes últimos, que superam a capacidade disponível no mercado, estão previstos mecanismos alternativos, como seguros paramétricos e reequilíbrio econômico-financeiro.

Um exemplo citado é o Aeroporto Salgado Filho, em que os danos ultrapassam R$ 1 bilhão e a União precisou aportar R$ 426 milhões. Para os especialistas, definir previamente faixas e gatilhos “estabelece tetos contratuais claros, prevenindo socorros fiscais desordenados”.

O seguro paramétrico pode ser utilizado em situações como seca e perda de calado, com indenização baseada em um índice previamente definido. A minuta, porém, exige “índice objetivo e correlação técnica adequada entre o índice e o dano”.

A nova política também pode ampliar a participação de seguradoras e corretores especializados desde a estruturação dos projetos, com demandas por engenharia de riscos, cálculo de PML, consultas ao mercado e desenvolvimento de novas soluções.

Para os corretores, a mudança abre espaço para uma atuação mais estratégica, participando da discussão sobre riscos antes mesmo da publicação dos editais e ajudando concessionárias a encontrar alternativas de proteção adequadas à realidade de cada projeto.

A proposta ainda está em consulta pública e pode sofrer alterações antes da versão definitiva.

FAÇA UM COMENTÁRIO

Esta é uma área exclusiva para membros da comunidade

Faça login para interagir ou crie agora sua conta e faça parte.

FAÇA PARTE AGORA FAZER LOGIN

Valorizamos sua privacidade

O CQCS utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência, personalizar conteúdos e analisar o nosso tráfego. Ao continuar navegando, você concorda com o uso dessas tecnologias, de acordo com a nossa Política de Privacidade.

Personalizar preferências de consentimento

NecessárioSempre ativo

Estes cookies são essenciais para o funcionamento adequado do site, garantindo recursos básicos de segurança e acessibilidade. Eles não armazenam nenhuma informação pessoal identificável.

Funcional

Permitem que o site lembre das suas escolhas e forneça funcionalidades aprimoradas e personalizadas, como compartilhamento em redes sociais e integração de recursos de terceiros.

Sem cookies para exibir.

Analítico

Ajudam a entender como os visitantes interagem com o site, coletando e relatando informações de forma anônima. Fornecem dados sobre número de visitantes, tempo na página e fontes de tráfego.

Desempenho

Utilizados para compreender e analisar os principais índices de desempenho do site, ajudando a proporcionar uma experiência de navegação otimizada para os usuários.

Sem cookies para exibir.

Anúncio

Usados para fornecer anúncios mais relevantes aos visitantes com base em suas navegações anteriores, além de ajudar a medir a eficácia das campanhas publicitárias.

Sem cookies para exibir.