A obrigatoriedade dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V para transportadoras representa mais do que uma adequação regulatória para o setor logístico. A medida fortalece a cultura de gestão de riscos nas operações de transporte de cargas e cria novas oportunidades para corretores e seguradoras ampliarem sua atuação consultiva junto às empresas.
Na avaliação de Alex Giesz, gerente de Autonomia e Competitividade Logística da Seguros SURA Brasil, isso contribui para elevar o nível de profissionalização do segmento, estimulando uma mudança de postura das transportadoras diante dos riscos da atividade.
A ação contribui diretamente para o fortalecimento do setor rodoviário de cargas, garantindo a segurança das operações e criando um ambiente mais equilibrado para todos os participantes da cadeia logística. Ela incentiva uma transição de uma cultura meramente reativa para uma gestão de riscos muito mais preventiva e estruturada”, afirma.
Segundo o executivo, essa evolução também melhora a qualidade das informações utilizadas pelas seguradoras na subscrição dos riscos, permitindo identificar com maior precisão as organizações que possuem processos mais maduros de gestão e prevenção.
Apesar da nova regra, um dos principais desafios ainda é a forma como muitas empresas contratam seus seguros. De acordo com Giesz, o erro mais comum é enxergar a contratação apenas como uma obrigação legal.
“O seguro muitas vezes é contratado de forma puramente burocrática, apenas para cumprir a legislação. Isso acaba gerando programas com coberturas inadequadas, desalinhadas da operação real e focados exclusivamente no menor preço”, explica.
Nesse cenário, o corretor ganha relevância ao atuar como consultor especializado, ajudando o transportador a compreender suas exposições e estruturar um programa de proteção adequado à realidade da operação.
“O corretor passa a integrar coberturas, análise de riscos e conformidade regulatória. Dessa forma, o seguro deixa de ser visto apenas como um custo e passa a ser um componente estratégico para o negócio”, destaca.
A nova regulamentação também amplia as oportunidades comerciais para os profissionais especializados em transporte. Segundo Giesz, o corretor pode utilizar a obrigatoriedade como ponto de partida para discutir temas mais amplos relacionados à prevenção de perdas, responsabilidade civil e eficiência operacional.
“O corretor se torna o agente-chave nesse novo cenário. Ao ajudar o cliente a compreender suas obrigações e riscos operacionais, ele encontra uma grande oportunidade de crescimento e fidelização da carteira”, afirma.
O executivo destaca, ainda, que a atuação consultiva pode ser fortalecida por serviços complementares de gestão de riscos, envolvendo análise de motoristas, treinamentos, rastreamento, tecnologias embarcadas, prevenção de acidentes e sistemas de pronta resposta.
Para a Seguros SURA, a tendência é que a regulamentação fomente a procura por soluções mais completas, integrando seguro, tecnologia e gerenciamento de riscos.
“Sem dúvida, a nova regulamentação atua como um catalisador para impulsionar a demanda por soluções completas que integrem seguros, gestão de riscos e tecnologia. À medida que o setor evolui para um ambiente mais organizado e competitivo, a busca por propostas de valor mais abrangentes será cada vez maior”, avalia.
Nesse contexto, ferramentas como monitoramento em tempo real, planejamento inteligente de rotas e tecnologias voltadas à prevenção de sinistros tendem a ganhar espaço dentro das operações logísticas.
Para Giesz, a mudança representa uma possibilidade para que corretores e seguradoras deixem de atuar apenas na transferência do risco e passem a ocupar uma posição estratégica no desenvolvimento das transportadoras.
“É preciso deixar de ver isso apenas como uma exigência regulatória e passar a enxergar como uma oportunidade concreta de profissionalização, prevenção e ganho de competitividade para toda a cadeia logística”, conclui.

