Pesquisa realizada pela MetLife e apresentada em webinar mostra que saúde, renda e família estão entre as principais preocupações dos latino-americanos, enquanto apenas 18% recorrem diretamente à contratação de seguros como forma de proteção
A percepção de estar protegido nem sempre significa estar, de fato, preparado para enfrentar um imprevisto. Essa é uma das principais conclusões apresentadas pela MetLife durante webinar realizado nesta quarta-feira (07), que discutiu os resultados de uma nova pesquisa realizada pela própria companhia sobre comportamento, riscos financeiros e acesso à proteção no Brasil, Chile e México.
Durante a apresentação, Javier Cabello Cervellino, Senior Vice President & Head of MetLife Xcelerator Latin America, destacou que a relação dos consumidores com a proteção financeira vai muito além da contratação de uma apólice. Segundo ele, as pessoas já desenvolvem diferentes estratégias para lidar com riscos, muitas delas ligadas à própria rede familiar e social.
“As pessoas já buscam mecanismos próprios e sociais de proteção, muito relacionados ao grupo familiar e aos amigos”, afirmou.
Os dados apresentados reforçam essa percepção. Entre os entrevistados, 53% afirmaram que economizam ativamente como uma forma de proteção, enquanto 56% disseram tentar evitar riscos. A contratação de um seguro, por outro lado, aparece para 18% dos participantes como uma das formas de proteção.
Outro ponto destacado por Cabello foi a diferença entre a confiança que as pessoas têm na própria capacidade de enfrentar um imprevisto e o quanto elas estão efetivamente preparadas para isso. De acordo com a pesquisa, 61% dos entrevistados confiam que conseguiriam resolver um imprevisto, mas apenas 35% afirmam estar muito preparados para lidar com sua principal preocupação financeira.
“Sentir-se capaz não significa necessariamente sentir-se preparado.”
A pesquisa também mostra quais são algumas das consequências financeiras que mais preocupam os consumidores. A saúde aparece em primeiro lugar, citada por 56% dos entrevistados, seguida pela possibilidade de depender financeiramente de outra pessoa, apontada por 48%, e pelo impacto de se tornar uma carga financeira para a própria família, preocupação de 45%.
Cabello ressaltou que problemas de saúde, por exemplo, podem ultrapassar a questão médica e afetar diretamente a estabilidade econômica de uma família.
“A primeira preocupação dos latino-americanos é a saúde, porque todos reconhecem o impacto financeiro que um problema de saúde pode provocar e como isso pode mexer com a estabilidade econômica da família.”
Na avaliação apresentada durante o webinar, a preocupação com renda também está diretamente ligada à possibilidade de uma pessoa precisar interromper suas atividades profissionais ou passar a depender financeiramente de terceiros. Já a preocupação com a família envolve a necessidade de garantir que os dependentes mantenham estabilidade financeira diante de situações inesperadas.
A apresentação também chamou atenção para a mudança na forma como o consumidor busca proteção. Segundo os dados apresentados, apenas 16% das pessoas afirmam procurar por conta própria uma solução de proteção. Em contrapartida, 53% indicam que gostariam de encontrar proteção em uma aplicação bancária, enquanto 35% apontam o momento de solicitar um empréstimo como uma ocasião em que esse tipo de solução poderia estar presente. Outros 26% mencionam farmácias ou clínicas.
Para a MetLife, os números indicam que a proteção não precisa necessariamente aparecer como um produto isolado, mas pode estar integrada a momentos cotidianos em que a necessidade do consumidor já está evidente.
“As pessoas querem encontrar proteção sem necessariamente ter que sair a buscá-la.”
A lógica apresentada é resumida pela ideia de que a proteção deve aparecer onde a vida acontece: em experiências, serviços e situações nas quais o consumidor já está tomando decisões relacionadas à sua segurança financeira.
Cabello também chamou atenção para o que classificou como duas lacunas na relação entre consumidores e proteção: a “brecha de interpretação” e a “brecha de ativação”. A primeira ocorre quando a proteção é apresentada a partir da perspectiva do produto, e não necessariamente daquilo que a pessoa deseja preservar. A segunda aparece quando, mesmo reconhecendo uma necessidade, o consumidor ainda encontra dificuldades para tomar uma decisão e efetivamente contratar uma solução.
Nesse cenário, a pesquisa aponta quatro princípios para aproximar a proteção do consumidor: partir daquilo que a pessoa deseja preservar, tornar a solução fácil de reconhecer, entender e acessar, conectá-la à vida cotidiana e apresentá-la quando a necessidade se tornar visível.
“Precisamos partir daquilo que as pessoas realmente querem proteger e tornar a proteção fácil de reconhecer, entender e acessar.”
Outro desafio destacado durante o webinar foi a complexidade da linguagem utilizada pelo setor de seguros. Como apenas 16% dos entrevistados demonstram interesse espontâneo em buscar um seguro, o executivo defendeu que a indústria precisa encontrar formas mais simples de apresentar suas soluções para alcançar também aqueles que não estão ativamente procurando uma apólice.
“Se apenas 16% das pessoas acordam pensando em contratar um seguro, precisamos falar uma linguagem que seja fácil de entender.”
Segundo Cabello, o fato de uma parcela reduzida dos consumidores procurar espontaneamente um seguro não significa que os demais não tenham preocupações relacionadas à proteção. Pelo contrário: saúde, renda e família aparecem entre as principais inquietações identificadas pela pesquisa.
“O restante das pessoas também tem preocupações. O desafio é ajudá-las a entender a importância da proteção de uma forma simples e acessível.”
A pesquisa apresentada pela MetLife também identificou espaço para o desenvolvimento de soluções integradas. Segundo os dados, 56% das pessoas demonstram interesse em soluções integradas, 77% das organizações considerariam se associar a esse tipo de proposta e 58% valorizam trabalhar com uma seguradora confiável.
Para Cabello, isso reforça que o valor do seguro não está apenas na cobertura oferecida, mas na capacidade de integrar a proteção à jornada do consumidor.
“O valor não está somente em oferecer o seguro. Está em integrar a proteção.”
A apresentação reforçou, assim, uma mudança de perspectiva para o setor: em vez de esperar que o consumidor procure espontaneamente uma apólice, as seguradoras podem buscar espaços em que as necessidades de proteção já estejam presentes, tornando a solução mais compreensível, acessível e conectada à realidade das pessoas.

