Notícias | 2 de julho de 2025 | Fonte: Fenacor

Lucro das seguradoras aumentou 12%

As 50 maiores seguradoras do país registraram um lucro líquido consolidado de R$ 10,65 bilhões entre janeiro e abril de 2025, um aumento de 12,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando o resultado somou R$ 9,48 bilhões. Os dados foram divulgados pela consultoria Siscorp com base em informações da Susep. A rentabilidade sobre os prêmios (s/PL) ficou em 29% em 2025, ante 26% em 2024. O lucro sobre prêmios ganhos e rendas de previdência (s/PG + RGP) também aumentou, passando de 19% para 20%.

O volume total de arrecadação em prêmios emitidos pelas 50 maiores seguradoras foi de R$ 124,77 bilhões no quadrimestre de 2025, crescimento de 0,9% em relação aos R$ 123,71 bilhões no mesmo período de 2024. Apesar de modesto, esse crescimento ajudou a manter o fôlego do setor em um contexto de desafios econômicos e alta dos juros.

Segundo especialistas ouvidos pelo Sonho Seguro, o crescimento foi impulsionado por dois fatores principais: o aumento no volume de prêmios emitidos e a elevação da taxa Selic, que remunera as reservas técnicas das seguradoras e atingiu 15% ao ano em junho de 2025. Desde setembro de 2024, o ciclo de aperto monetário vem contribuindo para os resultados positivos das seguradoras. A Selic passou de 12,75% para 15% ao ano em apenas seis meses.

Essa elevação favoreceu os ativos financeiros vinculados às reservas técnicas — compostas majoritariamente por títulos públicos indexados a juros ou à inflação. Com mais de R$ 1,5 trilhão sob gestão, as seguradoras viram seus ganhos com aplicações crescer significativamente, em especial nas linhas de previdência, vida e capitalização. A expectativa do mercado é de que o Copom mantenha a Selic elevada ao longo de 2025, o que deve seguir favorecendo a lucratividade do setor.

Os investimentos em tecnologia para inovação em produtos, melhor subscrição de risco e uma busca eterna para aprimorar a jornada ao consumidor para manter-lo fiel à marca, também dão frutos e engordam a rentabilidade. O setor de seguros no Brasil tem investido pesado em tecnologia, com foco em inovação e transformação digital, impulsionado pela CNseg. Em 2024, as seguradoras investiram cerca de R$ 20 bilhões em tecnologia, o que representa 2,6% da receita do setor, segundo a CNseg. Esse investimento tem como objetivo ampliar o mercado, melhorar os serviços aos clientes e otimizar processos internos. 

Apesar dos bons resultados no início do ano, o setor viu crescer a preocupação com os efeitos do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) instituído recentemente pelo governo federal. A medida criou um alíquota de 5% para depósitos mensais acima de R$ 50 mil (ou R$ 600 mil anuais) em planos VGBL, enquanto aportes inferiores a esse valor estavam isentos. Com a reversão, todos os aportes voltam a ter IOF zerado.

A medida chegou a ameaçar o desempenho das seguradoras especializadas em previdência privada. O IOF mais alto encarece o crédito, desestimula aportes relevantes em planos de longo prazo e ainda impacta negativamente seguros atrelados a operações de câmbio, além de onerar operações de resseguro.

A medida foi derrubada pelo Congresso Nacional nesta semana, após forte reação do setor e de parlamentares que apontaram seus efeitos nocivos para a classe média e para a poupança previdenciária.

Caso fosse mantido, o novo IOF teria afetado diretamente os grupos com atuação relevante no segmento de previdência individual e empresarial.

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