O relatório final do Grupo de Trabalho “Política Nacional de Acesso ao Seguro”, criado pela Susep com o objetivo de propor medidas para o aperfeiçoamento regulatório, que possam aprimorar o acesso ao seguro, faz críticas ao baixo retorno oferecido pelos seguros inclusivos em comparação aos tradicionais. O texto destaca que é essencial haver “melhorias na entrega de valor aos segurados”.
Além disso, é mencionada a falta de transparência nos contratos e alta frequência de práticas abusivas, como venda casada, regulação de sinistro inadequada e cláusulas que acabam por esvaziar o contrato de seguro. Nesse contexto, foi proposto que a Susep implemente mecanismos de validação para garantir que os consumidores “compreendam os produtos contratados”.
Foi criticada ainda a dependência de produtos de seguro com parcerias comerciais, ocasião em que o seguro é secundarizado, levando a problemas relacionados às vendas casadas ou não reconhecidas.
A educação do consumidor foi apontada como prioridade para aumentar a compreensão e adesão aos seguros inclusivos, tendo em vista a baixa taxa de compreensão dos produtos comercializados.
Já a digitalização e a inovação, assim como a existência e ampliação de canais virtuais de distribuição e seguros hiperpersonalizados, foram identificadas como estratégias chave para ampliar o acesso.
O documento lembra que as fintechs, por meio da inovação tecnológica, têm promovido inclusão financeira para microempresas e empreendedores informais, e sugere que o setor de seguros siga estratégicas similares.
O texto frisa também que os responsáveis pela comercialização dos seguros devem explicar “adequadamente os produtos” e aponta a desconfiança como um dos principais entraves para o avanço do setor.
Há ainda a sugestão de mais parcerias público-privadas e iniciativas regulatórias para apoiar seguros inclusivos. O relatório cita exemplos internacionais (como na Califórnia) como modelos de políticas de prevenção e mitigação de riscos.
Houve consenso sobre a necessidade de priorizar a experiência do cliente para melhorar a percepção e aceitação do seguro no mercado brasileiro, tendo sido destacada a necessidade de contato contínuo com os clientes para reforçar o valor do seguro.
O grupo foi formado por servidores da Susep e representantes de entidades do setor privado, como a Fenacor e CNseg, entre outros.

