Notícias | 3 de dezembro de 2025 | Fonte: g1

Golpistas se passam por médicos para exigir dinheiro de parentes de pacientes para tratamentos no RS

Pessoas suspeitas de se passar por médicos para exigir dinheiro via PIX de parentes de pacientes para continuar tratamentos supostamente urgentes, e não autorizados por planos de saúde, são alvos de operação da Polícia Civil nesta terça-feira (2) no Rio Grande do Sul. Pelo menos 30 pessoas do RS já foram vítimas do esquema, sofrendo prejuízos que variam de R$ 3,8 mil até R$ 11,7 mil.

No total, são cumpridos nove mandados de prisão e 13 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás. Alguns dos membros do grupo atuavam dentro de penitenciárias. Até a atualização mais recente desta reportagem, sete pessoas foram presas.

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos conseguiam acesso a prontuários e informações privadas dos pacientes a partir de hospitais particulares. Com essas informações, entravam em contato com familiares dos pacientes mentindo sobre a piora no quadro de saúde, agravamento da doença, afirmando que os planos de saúde não cobriam alguns procedimentos – e informando que havia necessidade de pagamentos para que eles fossem realizados.

“Com acesso a dados privilegiados, informavam um falso agravamento no quadro de saúde do paciente (como leucemia ou infecções bacterianas graves) e exigiam pagamentos urgentes via PIX para exames ou medicamentos que, supostamente, não eram cobertos pelo plano de saúde”, divulgou a polícia.

Em um áudio obtido pela Polícia Civil, o criminoso fala que precisa do pagamento para continuar um tratamento que, se demorar para ser feito, “não teria êxito e ele (o paciente) já seria portador de um câncer de sangue“. Leia a transcrição abaixo.

“Nesse caso, nós vamos precisar fazer sete baterias de exames de sangue computadorizados, e uma biópsia da medula óssea pra identificar porque a medula óssea começou a produzir células cancerígena, viu. Só que por esse plano dele, a gente não conseguiu autorização pra fazer hoje e isso seria um problema para ele, porque como a gente não sabe a porcentagem que se encontra essa alteração, provavelmente (…) com prazo de sete dias, a gente não teria êxito e ele já seria portador de um câncer de sangue. Só que para não deixar que o pior aconteça, o plano nos deu a opção, a gente sempre faz aqui no hospital. Se a família tiver condições de arcar com essa despesa e fazer o procedimento ainda hoje particular, ele nos reembolsa 100% do valor gasto da família. Pede documentações e é gerado aqui na tesouraria do hospital. São sete baterias de exames, fica no valor de R$ 3,8 mil. Preciso saber se a família autoriza”, diz o falso médico no áudio.

A Polícia Civil descobriu que os valores dos golpes eram repassados para uma organização criminosa que atua no estado do Mato Grosso. Ainda segundo a Polícia Civil, um dos investigados tinha mais de 120 contas PIX cadastradas no próprio CPF, o que abre suspeitas de que o alto número de contas fosse utilizado para lavar o dinheiro ilícito.

As investigações indicam que o grupo tinha até um “roteiro do golpe”, com informações para convencer os familiares a realizar os pagamentos. Ainda ainda não foi descoberto como os criminosos tinham acesso a dados em tempo real dos pacientes e analisa de onde dados estavam sendo vazados.

Por meio de nota, a presidência do Conselho Regional de Medicina (Cremers) afirmou que o trabalho da Polícia Civil foi necessário “porque esse crime que eles cometiam contra famílias, não apenas de hospitais privados, de convênios, mas também isso acontecia muito seguidamente em hospitais públicos, em pacientes de sistema único de saúde, famílias até mais humildes, era realmente muito triste, principalmente que pega num momento que as famílias estão fragilizadas, estão angustiadas com esses familiares doentes” (leia, abaixo, a nota na íntegra).

Nota da presidência do Cremers

Nós, como Conselho Regional de Medicina e principalmente como médicos, vemos com extrema satisfação essa ação da Polícia Civil em vários estados. Porque esse crime que eles cometiam contra famílias, não apenas de hospitais privados, de convênios, mas também isso acontecia muito seguidamente em hospitais públicos, em pacientes de sistema único de saúde, famílias até mais humildes, era realmente muito triste, principalmente que pega num momento que as famílias estão fragilizadas, estão angustiadas com esses familiares doentes. E agora esperamos, e até nos colocamos completamente à disposição nos segmentos das investigações para ver como esses criminosos realmente conseguiam acesso aos dados dos pacientes. Isso é muito importante, mas realmente esperamos que eles sejam presos, agora condenados, tirados de circulação, porque realmente isso era muito triste e trazia uma repercussão em termos de saúde mental, não apenas para pacientes, mas como seus familiares muito grandes“.

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