Ao contratar um seguro de automóvel, muitos consumidores concentram a atenção no valor da apólice e acabam deixando em segundo plano um dos fatores que mais influenciam a experiência em caso de sinistro: a franquia. Mais do que um mecanismo para reduzir ou aumentar o custo do seguro, a escolha da franquia deve fazer parte de uma estratégia de proteção financeira construída de acordo com o perfil de cada cliente.
A franquia representa a participação do segurado nos custos de um sinistro com perda parcial. Quando ocorre um dano coberto pela apólice e o veículo pode ser reparado, o segurado paga o valor da franquia contratado, enquanto a seguradora arca com o restante do conserto. Por isso, definir entre uma franquia reduzida, normal ou ampliada exige uma análise que vai além da comparação de preços.
Segundo o presidente do SINCOR-PE, Carlos Valle, esse é um dos momentos em que o corretor pode demonstrar seu valor consultivo. Em vez de simplesmente apresentar o menor preço, o profissional deve explicar como cada modalidade de franquia impacta tanto o prêmio quanto a proteção financeira do cliente.
“O corretor tem uma grande oportunidade de ganhar a confiança do cliente mostrando a relação entre o valor da franquia, o prêmio do seguro e a real necessidade de proteção. As simulações ajudam a encontrar a solução mais adequada para cada perfil”, afirma.
Na prática, uma franquia ampliada costuma reduzir o valor do prêmio porque o segurado assume uma parcela maior dos custos em caso de perda parcial. Essa modalidade pode ser interessante para quem utiliza pouco o veículo, dirigir em regiões de menor risco ou deseja proteger principalmente o patrimônio contra eventos de maior gravidade, como roubo, furto ou perda total — situações em que, normalmente, não há cobrança de franquia.
Já a franquia reduzida aumenta o custo da apólice, mas diminui o desembolso do segurado quando há necessidade de reparos. Ela tende a ser mais indicada para motoristas que utilizam o veículo diariamente, enfrentam trânsito intenso, dividem o carro com outras pessoas ou acreditam estar mais expostos ao risco de colisões.
Para Carlos Valle, o principal erro ainda acontece quando a contratação é baseada apenas no menor preço.
“Muita gente compara apenas o valor da apólice sem observar as coberturas e a franquia. Às vezes o seguro parece mais barato porque foi contratada uma franquia muito alta, mas as condições não são equivalentes. É preciso comparar produtos semelhantes.”
Segundo ele, é justamente nesse cenário que o corretor pode fortalecer sua relação com o consumidor. Ao apresentar diferentes simulações e explicar os impactos financeiros de cada escolha, o profissional ajuda o cliente a entender riscos que muitas vezes ele próprio ainda não percebeu.
“Quando o corretor apresenta todas as variáveis antes da contratação, ele deixa de ser apenas alguém que vende seguro e passa a oferecer a melhor proteção para aquele cliente. Essa é uma oportunidade de construir confiança.”
Além da definição da franquia principal, o mercado também oferece coberturas específicas para pequenos danos, como quebra de vidros, faróis, lanternas e retrovisores. Em muitos casos, essas proteções possuem franquias próprias e reduzidas, diminuindo o custo para reparos que costumam ocorrer com frequência.
Por isso, especialistas recomendam que a contratação do seguro seja feita com uma análise completa do perfil do motorista, da frequência de uso do veículo, das condições financeiras do segurado e dos riscos aos quais ele está exposto.
Mais do que economizar alguns reais na contratação, a escolha da franquia influencia diretamente o nível de proteção que o seguro oferecerá quando um imprevisto acontecer. Nesse contexto, o corretor deixa de ser apenas um intermediário da venda e assume um papel estratégico, ajudando o cliente a encontrar o equilíbrio entre custo, cobertura e segurança financeira.

