As transformações tecnológicas vem ganhando cada vez mais espaço em diversos mercados, entre eles o de seguros. Executivos e empreendedores do mundo inteiro estiveram presentes no maior evento de tecnologia e seguros do mundo, o InsureTech Connect (ITC), para debater sobre os impactos que essa mudança irá acarretar no segmento de seguros. Ainda não se sabe exatamente quais serão os efeitos, mas já é notório que eles serão grandes, irão abarcar todo o setor e acontecerá rapidamente. As informações são do Valor Econômico.
Em uma das palestras que ocorreu no encontro, o empreendedor, influenciador, autor de best-sellers e especialista em marketing digital Gary Vaynerchuk declarou: “Estamos entrando em uma nova era”. Gary Vee, como é conhecido na internet, vê a consolidação da IA generativa, associada a tecnologias como o blockchain, como um novo “momento internet”.
De acordo com a publicação do Valor Econômico, o CEO da seguradora americana John Hancock, Brooks Tingle, salientou ver o impacto trazido pelas IAs generativas, muito além de aumentar a eficiência e reduzir custos. Para ele, a onda dos sistemas baseados em redes neurais vai trazer um poder que poucos setores no mundo terão, o de, efetivamente, transformar a vida das pessoas. O executivo citou, como exemplo, o uso de dados para criação de programas de longevidade, e aumentar a qualidade de vida dos clientes conforme envelhecem.
O fundador do CQCS e criador do CQCS Insurtech & Inovação, Gustavo Doria Filho, enxerga uma virada na cultura de seguros no Brasil e no mundo. “‘O seguro é sexy‘. A visão que seguro é algo monótono vai caindo por terra”, afirmou. Na visão de Doria, a onda digital vai trazer um engajamento dos clientes e das empresas. “Inovação será algo do setor e não restrito a um grupo de empresas disruptivas”, avaliou.
Roberto Tinoco Pinto, presidente de soluções digitais para clientes da Aon, também frisou que a transformação não vai ocorrer apenas por dentro das empresas. “Não se trata de apenas automatizar processos, mas sim de como servir e atender melhor os consumidores”, afirmou.
Já o diretor-assistente de supervisão de seguros da autoridade monetária das Bermudas, George B. Alayon Jr, disse enxergar na inovação trazida pela nova onda tecnológica a possibilidade de o poder público conseguir reduzir riscos associados a temas, como mudanças climáticas.
Antes do marco da IA generativa, a indústria de seguros já vivia um período de grandes transformações tecnológicas, como computação em nuvem e APIs. Segundo o fundador do ITC e da firma de venture capital SemperVirens, Caribou Honing, o surgimento das APIs possibilitou uma “explosão cambriana” de novos modelos e produtos no setor.
Ainda, de acordo com as fontes entrevistadas pelo Valor Econômico, as transformações serão muitas. Camila Serna, vice-presidente sênior e chefe de aceleração digital da Chubb, comentou o caso da parceria entre a seguradora global e o banco digital brasileiro Nubank, para exemplificar essa transformação, como um novo canal de distribuição possibilitado pela disseminação do modelo de APIs. “É uma das nossas parcerias mais rápidas em termos de crescimento [em todo o mundo]. Os titulares das contas digitais conseguem comprar o seguro de vida em dois cliques.”
Presente na delegação brasileira, o CEO da Zoox, Rafael de Albuquerque, declarou que, sem dados de qualidade, as IA não serão capazes de entregar boas soluções. “É como comida, sem ingredientes de qualidade não funciona”, comparou.
Dentro desse contexto, com foco em suprir a lacuna relacionada à dificuldade de as organizações implementarem uma infraestrutura mais sofisticada de dados, surgiu a insurtech brasileira Diretrix.On, que se apresentou no palco principal do ITC como um “case” de análise e tratamento de big data.
Ainda, segundo informações do Valor Econômico, o CEO da Sistran, Marcio Paes, explicou que, apesar de todo o barulho associado às IAs, as empresas precisam fazer sua lição de casa antes de conseguir obter resultados. “É preciso ter uma infraestrutura tecnológica e de dados preparada. Além disso, no começo, um motor de IA se assemelha a uma criança. É preciso investir tempo e ter especialistas para treinar os algoritmos para conseguir usar em produção. Em geral, pode levar algo entre oito e dez meses para a IA ser treinada e alcançar um nível de maturidade e consistência de resultados.”
Os especialistas que marcaram presença no ITC concordaram que a indústria de seguros em 2030 não será a mesma de hoje.

