A inteligência artificial (IA) e a transformação digital têm potencial para ampliar a eficiência do mercado de seguros, mas seus resultados dependem de mudanças estruturais nas operações das empresas. A avaliação é de Nélio Alvarez, CEO da Delphos, em entrevista ao programa Bate-Bola, apresentado por Gustavo Doria Filho, na TV CQCS.
Segundo o executivo, embora a tecnologia já faça parte da realidade das empresas,a inovação precisa estar associada ao mapeamento dos processos, à definição de responsabilidades e à geração de valor para as seguradoras e seus clientes. “Não adianta informatizar uma etapa de um processo sem mapeamento claro dos processos, sem definição de responsabilidades, sem efetivamente gerar valor para a operação e para o cliente final”, afirmou Alvarez.
Como exemplo da aplicação prática da inteligência artificial, Alvarez citou provas de conceito realizadas pela Delphos na esteira de regulação de sinistros. “A tecnologia foi utilizada como apoio à qualificação técnica de laudos produzidos por uma rede nacional de prestadores e engenheiros. A IA oferece suporte relevante em atividades operacionais, especialmente nas etapas mais mecânicas. A análise humana, entretanto, continua essencial para avaliar situações complexas e tomar decisões que exigem conhecimento técnico e julgamento profissional”.
É preciso automatizar etapas isoladas, mas sem integrar os processos, pode limitar os benefícios esperados. A transformação digital, segundo ele, exige uma visão abrangente do ciclo operacional, com conexão entre as diferentes atividades e aproveitamento efetivo das informações geradas. A combinação entre tecnologia, processos integrados e capacidade de resposta é fundamental para que a transformação digital produza resultados concretos. O objetivo, de acordo com ele, deve ser ampliar a eficiência sem perder de vista a função social do seguro e o atendimento às pessoas em momentos de maior vulnerabilidade.
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