Consultar débitos em casos de perda total já faz parte da rotina das seguradoras. Antes de indenizar, o mercado precisa saber se há IPVA, multas, licenciamento ou pendências que afetem a transferência do bem. Algumas seguradoras fazem essa verificação com o apoio de despachantes, caminho que cumpre seu papel, mas depende de etapas manuais, de prazos e das particularidades de cada estado.
É aqui que a tecnologia se soma ao que o mercado já faz: não para inaugurar uma checagem, mas para torná-la mais ágil, padronizada e confiável.
Dado confiável começa na fonte
A Base Estadual da Infocar é alimentada pelos órgãos de trânsito de cada estado, geralmente os Detrans. Ela reúne dados cadastrais e técnicos, débitos de IPVA, multas e licenciamento, restrições e bloqueios, registros de roubo e furto, proprietário atual e comunicação de venda.
A Infocar mantém conexão direta com os Detrans, com atualização online, e consolida informações de estados com formatos e nomenclaturas próprios. Na prática, a seguradora recebe o dado oficial em um único padrão.
“Débitos e restrições são informações extremamente relevantes para uma boa política de aceitação. Quando a seguradora não consulta essas informações, ela corre um grande risco de ser surpreendida negativamente, e a conta aparece mais tarde no momento de um sinistro.”, afirma José Homero de Oliveira Santos, Head de Relacionamento e Estratégia da Infocar Tecnologia.
Restrições que valem em todas as Ufsj
Há informações que não podem ser analisadas por recorte geográfico. Alienação fiduciária e bloqueios judiciais, como os via RENAJUD, impactam diretamente a indenização e podem envolver a seguradora em disputas sobre o bem, seja qual for o estado de emplacamento ou o de ocorrência do sinistro.
Como cada estado tem regras, prazos e procedimentos próprios, um veículo pode estar regular em uma unidade da federação e com restrições em outra. Por isso, a consulta precisa ser abrangente, e o registro das consultas, que serve de respaldo jurídico, faz parte de uma boa operação.
Registros de leilão e de roubo recuperado também estão entre os sinais mais recorrentes em esquemas de fraude. “O caso típico é o veículo recomposto após perda total, segurado como se tivesse histórico limpo. Uma consulta prévia custa muito pouco perto de uma única indenização indevida”, observa o executivo.
Tecnologia como aliada da decisão
Para além do pagamento de sinistro, o dado oficial qualifica outras etapas:
Indenização. Confirmar débitos e pendências antes de pagar protege o caixa da seguradora. Para uma varredura mais detalhada, é possível adicionar o Infodébitos.
Prevenção a fraudes. Bloqueios, débitos ocultos e divergências de chassi podem ser identificados antes da concretização do negócio.
Subscrição e renovação. Conhecer a situação legal e administrativa do veículo e seu proprietário atual qualifica a análise de risco desde a contratação.
Com integração via API, a consulta entra nos sistemas da seguradora em tempo real, sem atrasar o fluxo. “Quando esses dados entram nas regras de aceitação e nos modelos de preço, a seguradora diferencia melhor os perfis, evita que o bom segurado subsidie riscos mal avaliados e constrói uma carteira mais saudável”, diz José Homero.
O executivo lembra que a qualidade da decisão depende da qualidade da fonte: dado desatualizado ou incompleto pode levar à recusa injusta de um bom cliente ou à aceitação de um risco que deveria ser barrado. Por isso, ao escolher o fornecedor, vale avaliar abrangência das bases, frequência de atualização, conformidade com a LGPD e credibilidade.
Debate no CQCS Inovação 2026
José Homero é um dos palestrantes confirmados no próximo CQCS Inovação 2026, onde deve aprofundar o debate sobre dados, tecnologia e gestão de risco no mercado de seguros. “Quem decide com informação de qualidade decide melhor”, conclui.

