A abertura do último dia da 8ª Convenção Nacional Lojacorr Seguros, realizada nesta sexta-feira (16), em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR), contou com a premiação de cinco histórias de corretores parceiros da companhia, que enviaram vídeos em homenagem aos 30 anos da empresa. Os participantes também concorreram a prêmios durante a programação.
Na sequência, o Painel das Seguradoras debateu o tema “Horizonte 2030: tendências, oportunidades e riscos do mercado e o papel do corretor de seguros na distribuição”. Mediado pela jornalista e fundadora do Sonho Seguro, Denise Bueno, o encontro reuniu Ney Dias, CEO da Bradseg; Eduardo Dal Ri, presidente do Grupo HDI; Edson Franco, presidente da Zurich; Nelson Alves, COO da Mapfre e Marcelo Goldman, vice-presidente Comercial e de Produtos da Tokio Marine.
Entre os assuntos discutidos estiveram os impactos dos eventos climáticos, o uso da inteligência artificial, a baixa penetração do seguro no Brasil e as oportunidades para ampliar a proteção dos clientes por meio de uma atuação mais consultiva dos corretores.
Ney Dias destacou que, apesar da evolução na oferta de coberturas para riscos climáticos, a contratação de seguros ainda está abaixo do necessário. Segundo o CEO da Bradseg, apenas 3% das apólices de seguro residencial incluem cobertura para alagamento, o que reforça a necessidade de conscientização dos consumidores.
“Hoje, a gente tem a especificação do risco pela latitude e longitude. A qualidade melhorou. No entanto, apenas 3% das contratações de seguro residencial ainda incluem cobertura de alagamento. Há uma expectativa de que isso aumente, mas ainda é muito pouco. A gente realmente precisa aumentar essa mudança”, afirmou.
O executivo defendeu a atuação conjunta entre seguradoras e corretores para ampliar a cultura do seguro, com o apoio de recursos tecnológicos e materiais que ajudem os profissionais a explicar os riscos aos clientes.
Eduardo Dal Ri também chamou a atenção para a exposição crescente aos eventos climáticos e para a necessidade de ampliar a proteção patrimonial. O presidente do Grupo HDI citou uma chuva de granizo ocorrida em agosto que gerou R$ 25 milhões em custos para a companhia, considerando os valores líquidos e os salvados.
“A gente não foge da nossa responsabilidade de pagar sinistros, porque nós fomos feitos para isso. Mas isso chama a atenção para o fato de que talvez ainda estejamos falhando na nossa responsabilidade de oferecer esse seguro para ainda mais gente. Precisamos aproveitar todas essas questões climáticas para chamar a atenção do consumidor para a necessidade e a importância desse seguro”, declarou.
Dal Ri também defendeu a simplificação do aviso de sinistros, com processos digitais mais rápidos e acessíveis, para melhorar a experiência do segurado.
Já Edson Franco ressaltou a dimensão da lacuna de proteção no país. O presidente da Zurich mencionou os prejuízos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, que chegaram a aproximadamente R$ 100 bilhões, enquanto apenas R$ 6 bilhões contaram com cobertura securitária.
“Vou chamar de responsabilidade, vou chamar de missão, o dever de alertar essas pessoas, esses empresários, essas famílias, sobre a importância de se protegerem. Quem melhor do que nós, seguradores? Quem melhor do que vocês, corretores, com o apoio de uma estrutura oferecida pela Lojacorr, para levar essa conscientização às pessoas e aos empresários? Eu não vejo ninguém”, afirmou.
Franco também destacou a importância da prevenção, além da indenização após um sinistro. Como exemplo, citou o Programa de Resiliência Climática da Zurich, que reúne ferramentas e serviços para mapear riscos e apoiar medidas de mitigação.
Tecnologia como ferramenta para o corretor
A transformação tecnológica foi outro destaque do painel. Marcelo Goldman afirmou que os investimentos em tecnologia contribuíram para aumentar a eficiência da Tokio Marine e defendeu que os corretores também adotem ferramentas capazes de melhorar a produtividade e identificar novas oportunidades de negócios.
“Então, o que eu tenho a dizer para vocês é que incentivo todos a usarem tecnologia. Se vocês não têm pessoas nas corretoras de vocês que entendam de tecnologia, procurem se especializar, procurem se informar, contratem, de repente, pessoas mais jovens que possam ajudar vocês. A Tokio, por exemplo, pode ajudar bastante. Todas as companhias aqui podem ajudar”, disse.
Goldman destacou que a inteligência artificial pode ajudar a identificar clientes com potencial para contratar outros produtos, como seguros residenciais, empresariais e de vida. Também citou iniciativas da Tokio Marine para simplificar cotações corporativas a partir da análise de documentos e informações das empresas.
Para Nelson Alves, da Mapfre, a tecnologia deve estar associada ao conhecimento sobre o cliente e à personalização das propostas. O executivo ressaltou que os corretores podem ampliar sua atuação ao compreender melhor as necessidades das pessoas e das empresas, contando com o suporte técnico das seguradoras.
“O papel das seguradoras e a combinação que temos que fazer junto com os corretores é trazer essa plataforma, essa capacidade técnica, esse conhecimento e, juntos, poder fazer um bom gerenciamento do risco e uma boa proposta aos clientes. E permitir que vocês possam escalar, sem que isso também signifique ter que trazer muito mais especialização, que às vezes não é fácil e é caro”, afirmou.
Alves também destacou o potencial dos dados gerados pela rede da Lojacorr, que reúne cerca de 1.200 corretores, para identificar oportunidades comerciais e aumentar a eficiência na oferta de soluções.
Diversificação e seguro de vida
A ampliação da oferta de seguros de vida e a diversificação das carteiras também foram apontadas como oportunidades para os corretores. Ney Dias compartilhou a história de um profissional que passou a oferecer seguro de vida aos clientes após descobrir que a família de um amigo falecido em um acidente de carro não contava com essa proteção.
“Eu consigo, eu ofereço. Eu ofereço o seguro de vida”, relatou Dias, reproduzindo a explicação do corretor. Para o executivo, a experiência demonstra a importância de apresentar o produto aos clientes, considerando as necessidades de proteção financeira de suas famílias.
Edson Franco também abordou a falta de proteção financeira entre consumidores que já possuem seguro de automóvel. Segundo uma pesquisa mencionada pelo presidente da Zurich, 54% dos entrevistados que tinham seguro auto não possuíam seguro de vida. Após serem questionados sobre a importância dessa proteção, 72% disseram que reconsiderariam a contratação.
“Às vezes, basta uma provocação, uma pergunta, para você fazer o que a gente chama de diversificação. Não é nada mais do que fazer uma provocação, uma pergunta ao cliente. E não existe proteção patrimonial se não houver proteção à renda da família”, afirmou.
O executivo acrescentou que a diversificação também pode alcançar os seguros empresariais, inclusive entre pequenos e médios negócios, com apoio tecnológico e suporte das seguradoras.
Dal Ri, por sua vez, incentivou os corretores a ampliar o relacionamento com os segurados para além de uma única apólice. Segundo ele, a carteira de automóveis pode abrir portas para outras modalidades, enquanto o contato contínuo permite identificar necessidades que ainda não foram atendidas.
O painel reforçou que o desenvolvimento do mercado até 2030 dependerá da combinação entre inovação, prevenção e relacionamento. Para os executivos, os corretores têm papel central na identificação de lacunas de proteção e na oferta de soluções que atendam às necessidades de pessoas e empresas.

