Um novo episódio envolvendo direção imprudente, registrado na última segunda-feira (16), voltou a acender o alerta no mercado de seguros. Após viralizar ao “voar” com uma picape em uma duna, o empresário Valécio Granjeiro se envolveu em outro caso polêmico ao capotar um SUV de luxo, avaliado em cerca de R$430 mil, durante um test-drive em Fortaleza. O acidente levanta dúvidas importantes sobre cobertura securitária em situações que fogem do uso habitual do veículo.
Casos como esse expõem um ponto central: o seguro pode até cobrir, mas não de forma automática, tudo depende da estrutura da apólice e da análise do comportamento do condutor no momento do sinistro.
Para Thais Coutinho, administradora da Segfacil Seguros, a resposta não é simples. “Depende da seguradora. Por ser um test-drive, pode ser que a seguradora entenda que a pessoa não conhece o veículo e assuma o risco”, explica. Por outro lado, ela alerta que, se houver indícios de agravamento de risco, a indenização pode ser negada.
A especialista também destaca que manobras arriscadas podem impactar diretamente a cobertura. “Pode. Inclusive, tem seguradoras que monitoram o uso do veículo e conseguem identificar comportamento imprudente, como excesso de velocidade ou avanço de sinal”, afirma. Segundo ela, esse tipo de conduta pode levar desde a negativa de cobertura até a recusa da própria apólice.
Na avaliação de Fred Almeida, sócio da BMEx Group, advogado e professor da ENS, o ponto-chave está no tipo de seguro contratado pela concessionária. “Em operações de test drive, não estamos falando de um seguro auto tradicional, mas de coberturas de responsabilidade civil, muitas vezes com extensões específicas para esse tipo de uso”, explica.
Ele ressalta que existem proteções voltadas justamente para esse cenário. “Quando essa estrutura está corretamente contratada, o seguro tende a responder tanto pelos danos ao veículo quanto a terceiros”, afirma. No entanto, reforça: “se essa cobertura não existir, ou se o evento fugir das condições previstas na apólice, a seguradora pode sim negar o pagamento”.
A responsabilidade pelo prejuízo também varia conforme o caso. “O seguro da concessionária é o primeiro a ser acionado, quando existe cobertura adequada”, explica Fred. Ainda assim, ele pontua que o motorista pode ser responsabilizado, especialmente se houver imprudência.
Thais Coutinho chama atenção para um ponto crítico: muitas concessionárias não possuem cobertura para os veículos em test-drive. “Se a concessionária não tem seguro e disponibiliza o carro, a responsabilidade é dela”, afirma. Ela ainda destaca a importância de acompanhamento durante o teste. “Se não tiver um profissional junto, é um erro. O risco é de quem disponibilizou o veículo”, completa.
Para os especialistas, o episódio reforça o papel estratégico do corretor de seguros, principalmente na prevenção. “O corretor não só pode, como deve orientar o cliente”, diz Thais. Entre as recomendações estão o acompanhamento do test-drive, definição de rotas seguras e orientação sobre o uso correto do veículo.
Fred Almeida complementa que a atuação começa antes mesmo do sinistro. “O corretor bem preparado não atua só depois do problema ele reduz drasticamente a chance do problema acontecer”, afirma.
No fim, o caso deixa uma mensagem clara para o mercado: no test-drive, o seguro pode até existir, mas não elimina a responsabilidade. E, quando o risco não é bem estruturado, o que deveria ser proteção pode se transformar em disputa.
Capotou no test-drive: seguro paga ou pode negar? Caso levanta alerta para motoristas e corretores
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