Um diagnóstico de câncer pode mudar não apenas a rotina de uma mulher, mas também sua renda, responsabilidades familiares e planejamento financeiro. Para aquelas que são chefes de família, empreendedoras, profissionais autônomas ou responsáveis por grande parte do orçamento doméstico, um período de afastamento pode comprometer o equilíbrio financeiro da casa.
Além das despesas diretamente relacionadas ao tratamento, podem surgir custos com deslocamento, medicamentos não cobertos, alimentação, cuidadores e apoio aos filhos. Mesmo com acesso ao SUS ou a um plano de saúde, a interrupção ou redução da renda pode fazer com que a família precise recorrer a reservas, crédito ou até vender patrimônio.
Para Camila Maximo, presidente da Sou Segura, a proteção precisa considerar não apenas os custos médicos, mas também a manutenção da autonomia financeira. “O objetivo não é apenas garantir recursos para lidar com o tratamento, mas evitar que a mulher precise consumir uma reserva construída para outros objetivos, vender patrimônio ou recorrer a crédito em um momento de maior vulnerabilidade.”
A dimensão do problema também aparece nos dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que estima 78.610 novos casos de câncer de mama e 19.310 de câncer do colo do útero a cada ano do triênio 2026-2028 no Brasil.
Para Camila, a proteção da renda deve ser considerada antes de qualquer doença ou imprevisto. Isso porque algumas coberturas podem ter restrições de contratação após um diagnóstico ou diante de doenças preexistentes.
“Porque proteção financeira é uma estratégia preventiva. O planejamento não deve considerar apenas quanto uma pessoa consegue acumular, mas também o que pode interromper esse processo.”
A especialista compara a proteção securitária a uma reserva de emergência: a estrutura precisa estar pronta antes de ser necessária. No caso das mulheres, ela ressalta ainda que diferenças de renda e interrupções de carreira relacionadas à maternidade e aos cuidados familiares podem dificultar a formação de patrimônio e a construção de segurança financeira no longo prazo.
A pergunta, segundo ela, deveria fazer parte do planejamento financeiro: “se minha renda parar amanhã, por quanto tempo consigo manter minha vida e as despesas da minha família sem comprometer o patrimônio que levei anos para construir?”
A proteção necessária varia de acordo com renda, profissão, dependentes, patrimônio e capacidade de permanecer sem trabalhar. Entre as possibilidades estão coberturas de Doenças Graves, que podem pagar um capital após o diagnóstico de uma doença prevista em contrato; Diária por Incapacidade Temporária (DIT), que pode ajudar na reposição de parte da renda durante um afastamento; Invalidez por doença, conforme as condições previstas na apólice; e o Seguro de Vida, especialmente importante quando existem dependentes financeiros.
Camila ressalta, porém, que a contratação precisa considerar as condições específicas de cada produto. Ter um seguro de vida, por exemplo, não significa necessariamente ter cobertura para câncer. “Cada produto possui coberturas, definições, carências e exclusões próprias.”
Nas coberturas de Doenças Graves, é necessário verificar quais tipos de câncer estão contemplados, os critérios para caracterização do diagnóstico e eventuais diferenças relacionadas ao estágio da doença. Por isso, a escolha não deve ser baseada apenas no preço, mas na adequação da proteção à realidade da segurada.
Nesse cenário, o corretor pode atuar não apenas na venda da apólice, mas na identificação dos riscos financeiros que podem afetar a cliente e sua família. Para Camila, o mercado tem espaço para avançar tanto na educação financeira e securitária quanto na oferta de soluções mais individualizadas.
“O papel do corretor é ajudar a identificar essas diferenças, explicar as condições dos produtos e orientar a contratação de coberturas compatíveis com cada realidade.”
A executiva também defende que o mercado desenvolva produtos e formas de comunicação mais conectados às diferentes fases da vida das mulheres. Para ela, ampliar a presença feminina nos espaços de criação, desenvolvimento e distribuição de seguros pode contribuir para que as necessidades desse público sejam mais bem compreendidas.
Mais do que proteger o patrimônio, o planejamento securitário pode ajudar a preservar a capacidade de decisão diante de um período de vulnerabilidade. Nesse contexto, o seguro aparece como uma das ferramentas que podem contribuir para a autonomia financeira, desde que contratado de forma consciente e preventiva.

