A Casa do Seguro, instalada em Belém para a COP30, recebeu na manhã do dia 14 palestras dedicadas à Caixa Seguridade, marcado por debates sobre clima, sustentabilidade, prevenção, investimentos e o papel do setor segurador na transformação necessária diante dos eventos climáticos extremos.
Na abertura, o diretor-presidente da Caixa Seguridade, Gustavo Portela, reforçou o compromisso da companhia com iniciativas de educação, engajamento e impacto socioambiental. Ele apresentou dados sobre o investimento social privado, que superou R$ 16,2 milhões em 2024, e ressaltou a importância de compreender a profundidade dos riscos climáticos que já afetam o Brasil e o mundo.
Ao mencionar exemplos como incêndios florestais no Chile, ondas de calor no hemisfério norte, temporais severos na África e Europa, temporadas de furacões intensas, aquecimento dos oceanos, branqueamento dos corais e enchentes históricas no Rio Grande do Sul, o executivo reforçou que a crise climática deixou de ser um alerta distante. Ele pontuou que os desastres recentes, como o tornado no centro-sul do Paraná, revelam a urgência de ação coletiva entre governos, empresas, academia e sociedade.
Ao CQCS, Portela destacou a relevância da participação na COP30. “Foi um dia repleto de discussões e oportunidades. Assinamos compromissos importantes e debatemos como a previdência privada pode ser fonte de financiamento climático. É uma honra estar aqui representando a Caixa Seguridade em um evento tão estratégico”, afirmou.
Produtos, investimentos e a necessidade de uma agenda clara
Jean-Christophe Hamery, CEO da Caixa Vida e Previdência, trouxe um panorama sobre o avanço global do setor na incorporação dos princípios de sustentabilidade. Durante sua fala, ele destacou que a indústria seguradora mundial administra mais de 40 trilhões de dólares, o que reforça a responsabilidade das empresas na forma como investem, desenvolvem produtos e integram critérios climáticos e sociais.
Hamery chamou a atenção para a necessidade de ampliar as opções de fundos verdes disponíveis aos clientes. “Hoje ainda existem poucos fundos verdes e isso é um desafio, porque o investimento da previdência é uma decisão do cliente. Precisamos de uma taxonomia clara e também de ações governamentais para apoiar essa agenda. E há ainda um terceiro ponto, que é a educação financeira, essencial para orientar as escolhas dos investidores”, disse.
O papel das empresas e a força da ação coletiva
Viviane Romeiro, diretora de Clima, Energia e Finanças Sustentáveis do CEBDS, trouxe uma visão sistêmica sobre como o setor empresarial brasileiro vem se aproximando das decisões climáticas globais. Ela destacou a importância de diferenciar clima e tempo, reforçando que o aquecimento global é medido por recorrências e padrões de longo prazo, não por eventos isolados.
Durante sua participação, Romeiro explicou as vertentes de mitigação, adaptação e ação preventiva, alinhando esses conceitos ao setor de seguros. Ela ressaltou que os impactos climáticos atingem de forma desigual populações vulneráveis e que, por isso, o olhar social deve fazer parte da estratégia das seguradoras.
“É uma alegria estar aqui com a Caixa Seguridade discutindo como o setor pode apoiar a agenda climática. Estamos falando de prevenção, investimentos e de colocar as pessoas no centro das decisões. A parceria do CEBDS com a Caixa é muito importante e simboliza o avanço desse mercado”.
A pesquisadora Annelise Vendramini, da Fundação Getulio Vargas, apresentou um estudo elaborado em parceria com a Caixa que analisa fundos de previdência aberta e sua relação com temas climáticos e ESG. Os dados mostram que fundos com alocação sustentável não perdem desempenho financeiro.
“Encontramos uma correlação positiva entre investimentos ligados a clima, ESG e desempenho financeiro. É um resultado promissor, que mostra que é possível investir com responsabilidade sem abrir mão do retorno”.
Previdência, investimentos verdes e a necessidade de destravar regulações
Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade, também comentou o estudo produzido em colaboração com a Caixa. Ela destacou que os fundos de previdência, responsáveis por trilhões de reais em investimentos de longo prazo, já destinam cerca de 10% a 12% dos recursos a iniciativas verdes, mas ainda existe grande potencial de expansão.
“Há oportunidades enormes para avançar. Precisamos discutir regulação, aprimorar o mercado de títulos verdes e conectar melhor a previdência ao pipeline de projetos sustentáveis. Este é apenas o começo”.
Um setor mobilizado para prevenir riscos e fortalecer a adaptação
Encerrando painel, as discussões reafirmaram que o setor de seguros é peça-chave para fortalecer a resiliência climática do Brasil. Os temas abordados ao longo do evento destacaram a relevância do planejamento de longo prazo, da prevenção e da integração entre público, privado e sociedade civil.
A participação da Caixa Seguridade na Casa do Seguro durante a COP30 deixou clara a mensagem: enfrentar os efeitos das mudanças climáticas é uma tarefa comum, e o setor segurador tem papel central na construção de um futuro sustentável, resiliente e financeiramente viável.

