Seguros e resseguros não são elementos periféricos da economia; são instrumentos essenciais para viabilizar investimentos, reduzir incertezas e sustentar o crescimento econômico. A avaliação foi feita pelo embaixador do Brasil no Reino Unido, Antonio Patriota, durante a abertura do 2º Fórum Brasil-Reino Unido de Seguros, realizado em Londres pela CNseg e pela Association of British Insurers (ABI), na última terça-feira, 23.
Ao destacar a relevância do setor para o desenvolvimento sustentável, Patriota afirmou que a capacidade de avaliar, precificar e administrar riscos é condição fundamental para a expansão de investimentos em infraestrutura, energia, transporte, agronegócio e transformação digital.
“Seguros e resseguros não são periféricos ao crescimento econômico. Eles são o que permite que esse crescimento ocorra com menor incerteza e menor volatilidade”, afirmou.
Segundo o embaixador, essa discussão ganha ainda mais importância em um contexto de aumento da exposição a riscos climáticos e da necessidade de ampliar a resiliência das economias.
O encontro reuniu autoridades, parlamentares e representantes do mercado segurador brasileiro e britânico para discutir temas como proteção de infraestrutura, riscos cibernéticos, adaptação climática e financiamento da transição para uma economia de baixo carbono.
Cooperação entre mercados
A presidente da ABI, Hannah Gurga, destacou que o fórum representa mais um passo no fortalecimento da parceria construída entre as entidades e consolidada por meio do Memorando de Entendimento assinado entre a ABI e a CNseg em 2024.
Segundo ela, embora Brasil e Reino Unido possuam estruturas regulatórias e mercados distintos, os dois países enfrentam desafios semelhantes diante da transformação tecnológica e climática.
“Brasil e Reino Unido podem ter diferentes estruturas regulatórias e necessidades dos consumidores, mas enfrentam muitas das mesmas grandes questões. Como apoiar investimentos em infraestrutura sustentável? Como responder aos riscos cibernéticos e digitais? E como garantir que o setor continue contribuindo para a transição climática?”, afirmou.
Hannah ressaltou, ainda, que a troca de experiências entre os mercados é fundamental para acelerar soluções e fortalecer a capacidade de adaptação diante dos desafios globais.
“O desafio não é apenas responder aos eventos climáticos extremos, mas construir resiliência de longo prazo para comunidades e ativos expostos a riscos crescentes”, destacou.
Relação estratégica
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, reforçou que o Reino Unido é uma das principais referências para o mercado segurador brasileiro, tanto pela sofisticação do setor quanto pela relevância do país como fonte de resseguro e investimentos.
“O mercado brasileiro se espelha muito no mercado do Reino Unido. Há uma integração muito forte entre os dois mercados, que acontece não apenas em eventos como este, mas também na realização de negócios e investimentos de forma permanente”, afirmou.
Dyogo também destacou a importância da parceria com a ABI para ampliar o diálogo institucional e fortalecer a comunicação do setor junto à sociedade e aos formuladores de políticas públicas.
“Temos feito um grande esforço para aproximar o seguro da população e dos tomadores de decisão. Esse movimento exige parcerias, e encontramos na ABI um parceiro entusiasmado na construção de espaços de diálogo, troca de conhecimento e networking”, disse.
Ao encerrar sua participação, o embaixador Antonio Patriota destacou que a cooperação entre a ABI e a CNseg é um exemplo concreto de como parcerias institucionais podem transformar objetivos comuns em resultados práticos.

