Casos de veículos elétricos que tiveram indenização integral após colisões aparentemente leves levantaram dúvidas entre motoristas e segurados. Com o crescimento da frota de eletrificados no Brasil, a situação também chama atenção para os desafios de reparação e avaliação de danos pelas seguradoras.
Apesar das particularidades desses veículos, o critério para caracterizar a indenização integral é o mesmo dos modelos a combustão. O que pode mudar são os custos e as condições técnicas do reparo, principalmente quando componentes de alto valor, como a bateria, são atingidos.
Segundo Jaime Soares, presidente da Comissão de Auto da FenSeg, uma colisão leve não significa, automaticamente, perda total. “Em geral, colisões leves e mesmo de média intensidade têm pouca probabilidade de comprometer a bateria, que conta com estruturas de proteção específicas.”
Cada ocorrência é analisada individualmente, considerando a extensão dos danos, a segurança do reparo e o custo da recuperação em relação ao valor do veículo.
“A indenização integral depende, portanto, dos danos efetivamente constatados e do custo total do reparo em relação ao valor do veículo, conforme as condições previstas no contrato”, explica Soares.
A indenização integral segue a mesma lógica para veículos elétricos e a combustão. O percentual deve estar previsto no contrato e, pelas regras da Susep, não pode ultrapassar 75% do valor do veículo.
“A experiência acumulada pelo mercado até o momento não indica frequência elevada de indenização integral nos veículos elétricos. A bateria é um componente de alto valor e pode ter peso relevante quando efetivamente atingida, mas cada sinistro é analisado individualmente”, afirma Soares.
Para o corretor, conhecer essas particularidades é importante na orientação ao cliente. Além das coberturas, vale explicar questões como assistência, rede de oficinas e condições de reparação.
“O veículo elétrico possui particularidades que devem ser consideradas na contratação, sem que isso signifique necessariamente um risco maior. O corretor tem papel importante na orientação sobre coberturas, serviços de assistência, rede de oficinas e condições de reparação previstas no seguro”, destaca.
A expansão dos eletrificados também exige mais oficinas preparadas, profissionais capacitados, peças e equipamentos específicos. Segundo Soares, esse processo tende a acompanhar o crescimento da frota.
“A tendência é de amadurecimento contínuo desse mercado. O crescimento da frota estimula a capacitação de oficinas e profissionais, a maior disponibilidade de peças e equipamentos e o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico e reparação”, afirma.
Atualmente, cerca de 656 mil dos 951 mil veículos eletrificados em circulação no país estavam segurados, segundo levantamento da CNseg citado pela FenSeg.
Para o corretor, o cenário reforça a importância de entender como esses veículos funcionam e de orientar o segurado de que uma colisão aparentemente leve não significa, por si só, perda total. A análise dependerá sempre dos danos constatados, dos custos de reparo e das condições previstas na apólice.

