O 15º Congresso Brasileiro de Atuária (CBA) iniciou nesta quinta-feira (13), no Rio de Janeiro, uma ampla agenda de discussões sobre os desafios e as transformações que vêm redefinindo a atuação dos profissionais responsáveis pela análise e gestão de riscos. O eventotem como tema central “Risco, Dados e Inteligência: o Papel Estratégico do Atuário na Sociedade Brasileira”.
Promovido pelo Instituto Brasileiro de Atuária (IBA), o congresso reúne profissionais, especialistas, representantes de órgãos reguladores e executivos de diferentes segmentos. A programação do primeiro dia foi estruturada em 12 painéis, além da cerimônia de abertura, distribuindo as discussões entre áreas como previdência, seguros, saúde suplementar, mercado financeiro, inteligência artificial, governança e sustentabilidade
A primeira rodada de painéis colocou em evidência a relação entre dados, riscos, inteligência atuarial e regulação. Três discussões simultâneas abordaram essa integração nos mercados supervisionados de previdência, seguros e saúde suplementar. Na previdência, participaram nomes como Devanir Silva, Arthur Pires, Marcel Barros e Ricardo Pena, com mediação de Natalia Moreira.
Segundo o diretor presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), Devanir Silva, a economia acelerada da digitalização, é caracterizada por um volume expressivo de dados e pela crescente sofisticação da inteligência artificial na gestão de riscos. “Conforme abordado durante os debates, estamos caminhando para um modelo regulatório que transcende a visão puramente normativa. A regulação contemporânea deve ser inteligente, orientada por dados, preventiva e baseada em evidências sólidas, além de manter o princípio da proporcionalidade, adequando-se ao porte de cada entidade”.
No segmento de seguros, durante o painel “Regulação 360: a Integração entre Dados, Riscos e Inteligência Atuaial nos Mercados Supervisionados e de Seguros, Karini Madeira, superintendente da Acompanhamento Técnico da CNseg, detalhou sobre o papel estratégico do atuário nas principais transformações do mercado segurador. “A partir de temas como supervisão baseada em dados, Open Insurance, Reforma Tributária, solvência e novos modelos de negócio, o debate evidencia como a ciência atuarial contribui para transformar informações em decisões mais seguras, sustentáveis e orientadas à proteção do consumidor. Em um mercado com cada vez mais dados, o diferencial não está em quem possui mais informação, mas em quem consegue transformá-la em decisões melhores”.
Outro destaque da programação foi o painel “Sustentabilidade e Acessibilidade na Saúde Suplementar”, mediado por Raquel Marimon e com participação de Anelisa Fortes, Luiz Celso Dias Lopes e Thais Jorge.
Raquel Marimon, diretora Institucional do IBA, resumiu o tamanho do desafio diante do setor de saúde suplementar, ao mediar o painel sobre Sustentabilidade e Acessibilidade na Saúde Suplementar. “Incorporação acelerada de novas tecnologias, aumento da longevidade, riscos climáticos, judicialização, cartões de desconto, modelos ambulatoriais e possíveis integrações com o SUS. Todos esses temas têm algo em comum. Eles desafiam a forma como precificamos, planejamos e garantimos previsibilidade em um sistema cada vez mais pressionado”,
Em seguida, a diretora de Gestão Médica e Atendimento ao Segurado Bradesco Saúde, Thais Jorge, destacou os impactos da incorporação de novas tecnologias, da judicialização e das diferenças entre os sistemas público e privado na gestão dos custos assistenciais. “Quando olhamos para determinadas incorporações, a realidade da saúde suplementar é diferente da realidade da saúde pública. Há medicamentos incorporados nos dois sistemas, mas sem necessariamente existir equidade nos mecanismos utilizados para viabilizar essa incorporação”.
O desenho da programação evidencia uma das linhas centrais desta edição: a necessidade de aproximar cada vez mais a modelagem de riscos, o tratamento de dados e a tomada de decisão em setores sujeitos a mudanças econômicas, demográficas, tecnológicas e regulatórias. Ainda pela manhã, a agenda avançou sobre previdência pública, judicialização dos planos coletivos de saúde e a participação do atuário nas companhias abertas.
Um dos painéis discutiu “Judicialização, Regulação e Perícia Atuarial nos Planos Coletivos de Saúde”, enquanto outro tratou da relação entre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a atuação profissional nas companhias abertas, com foco em governança, riscos e transparência no Sistema Financeiro Nacional. A inteligência artificial também ganhou espaço de destaque durante a tarde. No painel “Previdência Inteligente: IA na Gestão do Futuro”, Glauco Milhomem, Celedo Lopes e Allan Gherman, com moderação de Rodrigo Uchôa, integraram a discussão sobre as possibilidades trazidas pela tecnologia à gestão previdenciária.
O tema reapareceu no fim do dia, no painel “IA – Inteligência Atuarial: Como transformar dados em Sustentabilidade e decisão”, moderado por Pietro Cafasso e com participação de Braulio Melo, Keith Berman e Neil Chapman.
A presença da inteligência artificial em diferentes momentos da programação reforça a transformação pela qual passa a atividade atuarial. O avanço da capacidade computacional, o volume crescente de informações disponíveis e o desenvolvimento de novos modelos de análise ampliam as possibilidades de previsão e mensuração de riscos, ao mesmo tempo em que colocam novos desafios para governança e tomada de decisão.
O tema ocupa posição estratégica em um setor submetido a pressões relacionadas ao envelhecimento da população, avanço das tecnologias médicas, custos assistenciais, mudanças no perfil epidemiológico e necessidade de conciliar acesso à assistência com equilíbrio econômico-financeiro.
A programação do congresso também abriu espaço para discutir as mútuas, em painel dedicado a regulação, concorrência e sustentabilidade do mercado, com César Neves, Ismael Garcia e Raquel Ferreira e mediação de Juliana Coelho.
15º Congresso Brasileiro de Atuária reúne especialistas no Rio e coloca risco, dados e inteligência no centro dos debates

