Mercado & Fomento | 23 de dezembro de 2025

Um ano que exigiu maturidade do mercado de seguros

Ao olhar para 2025, fica claro que o mercado de seguros passou por um ano que exigiu mais do que crescimento ou inovação. Exigiu maturidade. Foi um período de ajustes, aprendizados e reposicionamentos, tanto para seguradoras quanto para corretores e consumidores.

Do ponto de vista regulatório, 2025 consolidou uma mudança importante de mentalidade. A nova Lei do Seguro deixou de ser apenas um tema de debate e passou a ocupar o centro das discussões estratégicas do setor. Transparência, equilíbrio contratual e clareza na relação com o segurado deixaram de ser diferenciais e passaram a ser obrigações. Esse movimento trouxe desafios, mas também fortaleceu a credibilidade do mercado.

Na tecnologia, o ano marcou uma transição relevante. O Open Insurance avançou do discurso para aplicações mais concretas, insurtechs amadureceram, com menos promessas e mais entregas práticas.

A inteligência artificial ganhou espaço em processos, atendimento e análise de dados, mas também escancarou um ponto sensível: tecnologia, sozinha, não resolve tudo. Sem cultura, sem pessoas preparadas e sem estratégia, ela pouco transforma.
O papel do corretor ficou ainda mais evidente em 2025. Em um ambiente mais regulado, mais digital e mais exigente, o corretor que atua apenas como intermediário sentiu a pressão. Por outro lado, aquele que se posicionou como consultor, orientador e tradutor do seguro para o cliente ganhou relevância. O mercado deixou claro que informação, relacionamento e confiança continuam sendo ativos insubstituíveis.

O consumidor, por sua vez, chegou a um novo patamar de consciência. Mais atento aos seus direitos, mais questionador e mais interessado em entender o que está contratando. O seguro passou a ser visto com mais frequência como parte do planejamento financeiro e patrimonial, e não apenas como resposta a uma emergência.

Somam-se a isso os riscos cada vez mais presentes na sociedade. Eventos climáticos extremos, instabilidades econômicas e riscos patrimoniais reforçaram o papel do seguro como instrumento de proteção coletiva e estabilidade social.
2025 não foi um ano simples. Mas foi um ano necessário. Um ano que cobrou ajustes, elevou o nível do debate e deixou lições importantes para quem atua no mercado de seguros.

Marco Antonio Gonçalves

Atualmente, o especialista é presidente do Fórum Mário Petrelli, além de presidir o Conselho Consultivo da MAG Seguros. Desempenha ainda atividades como conselheiro no Conselho de Administração da SICOOB Seguradora e como diretor do Sindicato das Empresas de Seguros e Resseguros de São Paulo (SindsegSP). Formado em Direito, Marco já foi diretor na Câmara Americana de Comércio do Brasil (Amcham) e atuou como vice-presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Também esteve no cargo de diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e presidiu o Conselho Empresarial de Seguro e Resseguro da mesma instituição. No Grupo Bradesco Seguros, atuou por 40 anos, ocupando diversos cargos de direção, sendo que, quando se aposentou, ocupava o cargo de Diretor Geral da Bradesco Seguros.

Um comentário

  1. Luiz Mattua

    29 de dezembro de 2025 às 10:02

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