A grande maioria da liderança de pessoas que está em fintechs, seja meio de pagamento, cartão, conta, conta PJ ou qualquer serviço financeiro, desconhece o potencial de uma carteira de resultados de seguros. Isso é um fato.
A maior preocupação nesse momento é criar linhas de receitas para oferecer crédito (esquecem do prestamista), crédito consignado (esquecem do prestamista novamente), cartão de crédito (esquecem do seguro de cartão), Pix (esquecem do seguro pix), conta pessoa jurídica (esquecem do seguro de vida empresarial, patrimonial), máquina de cartão para pagamento (esquecem do seguro de faturamento) e por aí vai…
Se você pesquisar a grande maioria das fintechs e entrar em sua página, às vezes seguros nem aparece como produto — aparece como serviço. Seguros nem está perto, em ordem de prioridade, crédito, ou de cartão, ele é a última opção do menu de opções.
Quando olhamos para os grandes incumbentes do mercado, seguro não é core, pois core é crédito. Mesmo não sendo core, seguro é estratégico. Olha o tamanho da oportunidade que as fintechs estão deixando na mesa:
No Itaú Unibanco, o resultado de operações de seguros chegou a quase R$ 3,5 bilhões no 2T26, crescendo 8,4% — acima do ritmo do lucro do banco, que subiu 7,8%. Enquanto o crédito enfrenta inadimplência e consome capital, seguros seguem entregando receita recorrente que não depende de risco de balanço. Exatamente os produtos que a fintech esconde na última aba do app.
No Banco Bradesco, o braço segurador lucrou R$ 2,9 bilhões no 2T26, ou 41% do lucro do banco. De cada R$ 10 que o Banco Bradesco ganha, R$ 4 vêm de seguros. E o seguro cresceu 28,3% no trimestre, contra 16,2% do banco inteiro. No semestre fechado, R$ 5,7 bilhões de lucro, 20,4% acima do ano passado, com rentabilidade de 22,1%. Um banco que empresta dinheiro para o Brasil inteiro tira quatro décimos do que ganha de uma operação que não empresta nada.
Somente citei dois, mas pense no resultado de seguros do Banco do Brasil com a BB Seguros Participações S/A ou da CAIXA com a CAIXA Seguridade Participações S.A. ? É muito dinheiro na mesa que não depende de capital de risco e é receita que entra no caixa. Outro destaque que trago é um recorte de um texto publicado pelo Valor Econômico S/A no seu caderno especial no dia 05/08/26 sobre a Expert XP Inc. 2026:
“A Expert XP Inc. 2026 reforçou uma mudança que já vinha ganhando força no mercado: o seguro deixou de ser um produto complementar para ocupar espaço estratégico ao lado dos investimentos. A presença recorde de seguradoras, novos acordos comerciais e lançamentos de produtos mostraram que a disputa agora é pela atenção dos cerca de 27,5 mil assessores de investimentos da plataforma XP Inc. considerados o principal canal para ampliar a penetração de seguro de vida no país”.
“A XP Inc. é uma casa de investimentos, mas também é uma casa de proteção.” A frase de André Lauzana , CEO da XP Inc. Seguridade, resumiu o posicionamento da empresa.
Uma frase simples que resume um posicionamento estratégico relevante dentro de uma empresa como a XP. Enquanto a XP Inc. trata seguros como posicionamento estratégico, as fintechs ainda não entendem que uma carteira de resultados de seguros é composta por dois pilares fundamentais: 1) Vendas e 2) Renovação. Isso é baseado nos formatos de distribuição vendas por canais humanos, vendas por canais digitais e seguros embedados, além dos seguros corporativos da empresa.
“Não dá para pensar em uma estratégica única de distribuição de seguros. Quais avenidas de oportunidades existem na sua empresa que seguros pode ajudar a rentabilizar? Essa reflexão é fundamental” – Alex Körner
Muitas vezes, as fintechs que iniciam vendas de seguros, pensam que terão o resultado de seguros em 6 meses ou 12 meses. Errado. O resultado da carteira de seguros é composto por dois indicadores importantes: quantidade e prêmio. Existem produtos que você vai vender que vai dar quantidade de clientes (isso melhora a principalidade) e outros produtos que você terá maior prêmio (consequentemente maior comissão). Se tiver ambos, mas uma alta taxa de cancelamento anual, você está no caminho errado.
Ambos precisam estar combinados com algo fundamental na construção de resultados de carteiras de seguros, a renovação. O resultado de seguros vem de algo chamado carteira, ou seja, quanto melhor sua renovação, maior será seu resultado (pois a carteira tem um conceito acumulativo) e também melhor sua negociação com a seguradora para receber um profit share, semestral ou anual. Voltando à pergunta do título: montar uma carteira de resultados de seguros não é saber vender seguros. É saber ficar com eles ou entender como ele pode apoiar os resultados.
As fintechs dominaram funil, CAC e conversão — mas carteira não se monta num trimestre. Carteira se acumula — e resultado também. A cesta de limões está aí, parada na última aba do seu app. Você quer um limão? Ou uma limonada?

