Notícias | 27 de agosto de 2020 | Fonte: CQCS | Sueli Santos

Telemedicina é tema de discussão em fórum do jornal Folha de S. Paulo

O jornal Folha de S. Paulo promoveu, nesta quarta, dia 26, a 7ª edição do “Fórum Saúde do Brasil”. Por conta da necessidade de isolamento social, o evento aconteceu de maneira remota. A telemedicina foi um dos assuntos abordados e contou com a participação de Tereza Veloso, diretora técnica e de relacionamento com prestadores de saúde e odonto da SulAmérica; Alexandra Monteiro, coordenadora do projeto de extensão em telemedicina e telessaúde da UERJ, Chao Lung Wen, médico chefe da disciplina de telemedicina da FM USP e Vania Martins, membro do Royal College de obstetras e ginecologistas do Reino Unido.

Alexandra disse que a telemedicina é realidade no Brasil há 20 anos. “Começou na universidade e hoje é uma necessidade diante da pandemia”, ressaltou.

Chao Lung relatou que não existe a separação entre a medicina e telemedicina. Ele que trabalha com telemedicina desde 1997, ressaltou que mais do que telemedicina o que se constrói na atualidade é a conexão entre saúde e medicina. “A telemedicina é um braço de aceleração da medicina e de construção de um modelo de saúde conectada”, afirmou. Ele destacou ainda ser importante trabalhar com dois conceitos: telemedicina de logística e de cuidados integrados. “A profissionalização desse processo só vai universalizar mais a saúde”, afirmou.

Vania Martins, membro do Royal College de obstetras e ginecologistas do Reino Unido, pontuou as diferenças da prática médica no Brasil e Reino Unido. “Aqui eles vão primeiro ao clínico geral e é uma batalha para consultarem com um especialista. Acho que a telemedicina é importante, mas tem alguns entraves, por exemplo, quando se fala em saúde da mulher, onde é preciso tocar a paciente”, destacou.

Tereza Veloso disse que na SulAmérica a telemedicina é parte da gestão integrada de saúde. “Vimos crescer o atendimento. Em fevereiro fazíamos 500 atendimento por mês e, em julho, chegamos a 70 mil atendimentos”, disse. Ela acredita que a telemedicina chegou para expandir o atendimento à saúde. “Acho que daqui pra frente, vai crescer ainda mais”.

Chao lembrou que a telemedicina será parte integrante de uma ação médica na pós pandemia. “Não existe separação entre telemedicina e medicina. Só existe uma palavra: a medicina. O médico tem que decidir quando usar a telemedicina porque isso faz parte do conjunto da responsabilidade”, explicou. Ele acredita que o Conselho Federal de Medicina deve aprovar e avançar com modernização da resolução da telemedicina como extensão do ato médico presencial.

Alexandra destacou que há muitos gargalos para a telemedicina. “Ainda não temos formação nas faculdades para que se pratique a telemedicina. Precisamos formar pessoas que vão trabalhar de forma responsável. Embora a lei tenha autorizado a telemedicina, o que se percebeu nos hospitais públicos e privados é que existia dificuldade de entendimento em como praticar”, disse.

Ela destacou também a necessidade de uma legislação unificada. “O governo federal autorizou a teleconsulta, mas conselho regional de medicina no RJ vetou. Então em um país continental como o nosso, o pensamento comum precisa gerar políticas públicas para que a universalização do acesso e qualificação aconteçam”, destacou.

O terceiro ponto que é importante é o registro. Não se pode praticar nenhum ato em saúde sem registro. “Não existe ainda plataformas em saúde, uma interoperabilidade com o SUS e unificada é importante porque estamos com LGPD e ter sistemas obrigatórias de sigilo é um pilar que precisa ser destacado”, afirmou.

Representando a SulAmérica, Tereza disse que a companhia ajudou a estender o serviço que já era ofertado pela companhia desde 2018. Ela explicou que com a pandemia a dificuldade foi no recrutamento dos médicos para trabalhar com teleconsulta. “Fizemos treinamento e vimos que tinha adesão pelos profissionais. Foi construída uma plataforma, temos uma preocupação com o sigilo e qualidade do atendimento.  Não tivemos dificuldade com a classe médica, eles têm aprendido a trabalhar com a ferramenta e a telemedicina é parte da medicina e faz parte dela”, revelou. Ela disse que a adaptação dos profissionais foi rápida.

Chao ressaltou a importância de se tornar a telemedicina obrigatória na formação, mas também é preciso forma cultura da sociedade para o uso correto da telemedicina. “Não podemos esquecer que a teleconsulta envolve sigilo, exige trâmites”, disse. Ele disse que isso é importante para que não se tenha mau uso do método.

Teresa disse que o índice de satisfação do usuário na SulAmérica chega a 90%. “Após o atendimento de telemedicina, quando há necessidade, o paciente é encaminhado ao hospital que, ao chegar lá, já é encaminhado para o tratamento necessário”.

O evento continua nesta quinta, 27 e vai discutir os impactos da crise econômica no sistema de saúde e os cuidados integrados em saúde.

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