No TI Inside Innovation Fórum, Vinícius Bufoni, Diretor e TI da Suhai Seguradora, discutiu, no painel “O próximo ciclo competitivo: quem lidera a inovação lidera o mercado”, que criar tecnologias não, necessariamente, implica em inovação e a realização de testes que levem em conta escalabilidade, custos ou alterações no projeto é o que transforma a tecnologia em um viabilizador de negócios.
O ponto inicial que o executivo traz é que a tecnologia por fim de si mesma não, necessariamente, é inovativa. A diferença, segundo o diretor, é tudo que ela traz em volta do tripé de processos, produtos e pessoas. “Muitas empresas entendem inovação como a mesma aplicação de uma nova tecnologia. Aplicar e ir a um processo que já existe não é inovação. Inovação é realmente criar algo novo, criar processos, criar produtos, criar modelos de negócios novos. E aí é que está a dificuldade, porque inovar não é só aplicar a tecnologia é o como. A diferenciação está em quem justamente aplica a inovação como uma vantagem competitiva e traz essa vantagem competitiva para o negócio”, explica.
Ainda, Bufoni enfatiza que a TI precisa superar a atuação puramente técnica ou operacional para focar nos objetivos estratégicos da empresa e avaliar como as iniciativas impactam as vendas e a satisfação do cliente. O executivo traz que todas as soluções implementadas por uma companhia devem ser direcionadas aos negócios, desenvolvimento interno e clientes.
“Não é fácil fazer uma área de TI pensar com a mentalidade do negócio e é um trabalho que deve ser desenvolvido ao longo de anos. Na Suhai, tudo que é direcionado já começou a trazer mais novidades, novidades internas e começou a trazer mais novidades que vão impactar o negócio”, afirma.
Contudo, um grande desafio que as companhias ainda enfrentam, de acordo com o diretor, é a realização de testes em ambientes altamente controlados, que não levam em consideração escalabilidade, custos ou alterações no projeto. Na visão do executivo, fazer testes em ambientes controlados é simples, mas levar a solução para a operação real expõe gargalos de custos unitários e suporte.
“O que está acontecendo hoje nas empresas é que as soluções não são mais desenvolvidas em casa, são compradas. Há essas empresas de IA com soluções magníficas. Quando você testa em um ambiente controlado, vai estar tudo bonitinho. Não tem preocupação com quem vai acordar com às 3 da manhã do time de operações para conseguir dar sustentação aquilo, não há preocupação em como aquilo vai escalar, quanto custa, qual o custo unitário daquilo quando escalar com a minha base”, justifica.
Por fim, Bufoni traz que a inovação dentro das companhias devem focar em “objetivos específicos” e que “façam sentido” com o seu momento atual para “não queimar etapas”. “A grande dificuldade da IA, hoje em dia, é entender onde ela faz sentido e onde não. Há um entusiasmo exagerado sobre a IA resolver todos os problemas, mas, muitas vezes, as empresas precisam primeiro organizar seus dados, rever processos ruins ou adotar automações simples antes de dar o próximo passo”, conclui.

