As recentes tensões no Oriente Médio e os impactos sobre rotas estratégicas do comércio internacional, como o Estreito de Ormuz, acenderam um alerta para empresas que dependem do transporte marítimo de cargas. O aumento dos custos logísticos, a necessidade de desvios de rotas e a maior exposição a riscos geopolíticos reforçam a importância da gestão de riscos e da proteção securitária para importadores e exportadores.
Para o mercado de seguros, o cenário exige atenção redobrada. Além dos riscos tradicionais, como avarias, roubos, extravios e acidentes, fatores externos relacionados à instabilidade internacional passaram a influenciar diretamente a operação e a avaliação dos riscos envolvidos no transporte de mercadorias.
Segundo Roberta Sermoud, gerente de Transportes, Marítimos e Aero do IRB(Re), eventos geopolíticos em regiões estratégicas aumentam a exposição das operações marítimas e demandam monitoramento constante por parte das seguradoras.
“Eventos geopolíticos em rotas estratégicas elevam a exposição do transporte marítimo a riscos operacionais e de segurança. Para o mercado de seguros, isso exige um acompanhamento mais próximo das acumulações de risco e pode resultar em revisões de condições e precificação para determinadas regiões”, explica.
De acordo com a executiva, para as empresas que atuam no comércio exterior, o momento exige atenção especial à gestão das exposições e à adequação das coberturas contratadas às características de cada operação.
O seguro de transportes marítimos tem como principal objetivo proteger a carga contra perdas e danos físicos durante o trajeto. Entretanto, quando o assunto envolve conflitos armados, terrorismo ou guerra, a proteção costuma exigir coberturas específicas.
“Riscos extraordinários, como guerra, terrorismo e conflitos armados, normalmente dependem de coberturas específicas, contratadas de acordo com a necessidade da operação”, destaca Roberta.
Ela acrescenta que essas coberturas costumam prever cláusulas próprias para o gerenciamento de exposições em áreas de conflito, incluindo mecanismos que permitem revisão ou cancelamento das condições mediante aviso prévio.
Uma dúvida comum entre empresas é se situações como atrasos nas entregas, aumento dos custos logísticos ou desvios de rota podem gerar indenização securitária.
Segundo a especialista, as apólices tradicionais de transporte não costumam contemplar esse tipo de prejuízo. “Em geral, atrasos, aumento de custos ou desvios de rota não estão cobertos pelas apólices tradicionais de transporte. O acionamento do seguro costuma estar vinculado à ocorrência de perdas ou danos materiais cobertos contratualmente”, afirma.
Roberta explica que, mesmo quando há alteração do itinerário da embarcação, a cobertura normalmente permanece válida para proteger a carga contra danos físicos durante a viagem. No entanto, despesas adicionais decorrentes da mudança de rota ou da demora na entrega não costumam ser indenizadas.
Diante de um ambiente cada vez mais complexo e sujeito a riscos globais, o corretor de seguros ganha relevância na orientação das empresas.
Para a executiva do IRB(Re), o profissional tem papel fundamental na análise das exposições e na recomendação das coberturas mais adequadas para cada operação.
“O corretor tem papel fundamental na avaliação dos riscos da operação e na definição das coberturas mais adequadas. Em um cenário mais volátil, sua atuação contribui para que as empresas compreendam melhor suas exposições e tomem decisões mais informadas sobre proteção securitária”, ressalta.
Com o comércio internacional cada vez mais impactado por fatores geopolíticos, o seguro de transportes deixa de ser apenas uma ferramenta de proteção patrimonial e passa a integrar a estratégia de continuidade dos negócios. Nesse contexto, a atuação consultiva do corretor torna-se essencial para ajudar empresas a navegar por um cenário global marcado por incertezas e novos desafios logísticos.

