A transformação do setor de saúde suplementar passa também pela forma como o mercado se relaciona com consumidores, corretores e demais agentes da cadeia. Esse foi um dos pontos centrais da plenária realizada na sexta-feira (28), durante o 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, que reuniu lideranças do setor para discutir os desafios e as oportunidades diante das novas demandas por proteção e qualidade de vida.
Mediado por Erika Brandão Gleicher, CEO do Grupo Assurê Corretagem de Seguros, o debate contou com a participação de Flávio Bitter, diretor geral da Bradesco Saúde, Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde, e Heitor Augusto, vice-presidente Comercial Saúde e Odonto da SulAmérica. A profissionalização da distribuição, a capacitação dos corretores, a complexidade dos produtos e o avanço da tecnologia estiveram entre os principais assuntos discutidos.
Ao falar sobre a relação entre operadoras e corretores, Bruno Sobral destacou a importância do profissional na ponta da distribuição e defendeu o diálogo entre os diferentes agentes do setor. Segundo ele, o corretor tem papel fundamental na relação com o cliente e no desenvolvimento do mercado. “Vocês são a ponta e super importantes para as vendas. (…) O papel do corretor é muito valoroso e valioso para a gente”, afirmou.
Sobral também abordou os desafios relacionados à portabilidade de carências e defendeu equilíbrio entre a ampliação do direito dos beneficiários e mecanismos de controle. Para o executivo, mudanças regulatórias precisam considerar o funcionamento do mercado como um todo. “Eu tenho muita preocupação em mudanças regulatórias que pegam um exemplo específico e querem transformar aquilo em regra”, destacou.
Heitor Augusto, por sua vez, ressaltou que a própria evolução dos produtos tornou a venda de saúde mais complexa e aumentou a necessidade de preparação dos profissionais que atuam na ponta. “A venda de saúde é muito técnica. Não é uma venda simplesmente de um produto, de um serviço”, explicou.
O executivo também defendeu uma atuação mais intensa do mercado na capacitação dos corretores, especialmente diante da chegada de novos profissionais ao segmento. “A gente precisa capacitar muito esses agentes que estão na linha de frente, os corretores de seguros”, afirmou.
Outro ponto debatido por Heitor foi a necessidade de aproximar os diferentes participantes do ecossistema de saúde suplementar. Na avaliação do executivo, corretores, beneficiários, operadoras, prestadores de serviço e empresas precisam estar cada vez mais conectados para enfrentar desafios que ultrapassam a relação tradicional entre cliente e operadora.
Já Flávio Bitter chamou atenção para o papel da tecnologia como aliada dos corretores, especialmente para simplificar a jornada de venda e facilitar a identificação do produto mais adequado para cada cliente. O executivo destacou que a Bradesco Saúde mantém investimentos para apoiar o profissional e reforçou a importância da capacitação. “A gente preserva e mantém essa relação por acreditar na capacitação desse profissional, na habilidade que ele tem de ser realmente o elo nosso da força de distribuição”, afirmou.
Bitter também apresentou a visão da Bradesco Saúde sobre o futuro da distribuição, com ferramentas capazes de tornar a jornada de contratação mais simples e precisa. Segundo ele, a companhia trabalha para que o corretor possa concentrar seus esforços no relacionamento com o cliente. “Estamos trabalhando para facilitar ao máximo a vida do corretor e deixar realmente ele com a sua missão de contratar e proteger pessoas”, destacou.
Nesse contexto, a profissionalização da distribuição apareceu como uma das frentes capazes de fortalecer o mercado. Para os executivos, o avanço da saúde suplementar passa por preparar melhor os profissionais que estão em contato direto com os consumidores e oferecer ferramentas que permitam uma venda mais precisa.
A discussão reforçou ainda que tecnologia e capacitação não devem ser vistas de forma isolada. Enquanto as ferramentas digitais podem simplificar processos e ampliar a eficiência, o corretor continua ocupando uma posição estratégica na compreensão das necessidades do cliente e na escolha da solução mais adequada.
Com isso, o debate no 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros mostrou que as transformações da saúde suplementar já estão impactando diretamente a distribuição e exigem uma atuação cada vez mais qualificada de todos os agentes envolvidos.

