Notícias | 8 de dezembro de 2025 | Fonte: Folha de São Paulo

Reajuste médio dos planos de saúde coletivos é de 11,15%; veja aumento das principais operadoras

O reajuste médio cobrado de clientes de planos de saúde coletivos foi de 11,15% em 2025, incluindo os contratos empresariais e os por adesão (contratados por meio de sindicatos e associações), segundo dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que vão até agosto de 2025.

Contratos com menos de 30 vidas aumentaram 14,81%, quase cinco pontos percentuais acima dos planos de maior porte, que tiveram reajuste médio de 9,95%. Cerca de um em cada quatro beneficiários estão em planos com até 29 vidas.

Os dados apontam para uma leve redução em relação a 2024, que registrou aumento médio de 13,19% até dezembro —percentual que já foi menor do que em 2023, com 14,14%. Os reajustes devem refletir o aumento dos custos assistenciais, como consultas, exames e internações.

O painel da ANS mostra um aumento na participação de contratos com até cinco vidas (de 4,7% em 2014 para 14,8% em 2024 e 15% até agosto de 2025).

Planos exclusivamente odontológicos tiveram reajuste de 3,68% até agosto deste ano, o que demonstra uma tendência de estabilidade em relação a 2024 (3,6%) e diminuição dos valores praticados em 2023 (4,08%) e 2022 (5,08%).

No caso dos planos individuais e familiares, a ANS determina todos os anos o reajuste máximo que as empresas podem aplicar, calculado a partir da variação das despesas assistenciais do setor e aplicado de forma igual para todas as operadoras.

Já nos planos coletivos, o percentual é negociado diretamente entre a operadora e a empresa, o sindicato ou a entidade que contrata o convênio. Por isso, os coletivos podem ter aumentos maiores ou diferentes entre si.

VEJA O REAJUSTE DAS PRINCIPAIS OPERADORAS

Para coberturas médico-hospitalares, a reportagem reuniu as dez operadoras com maior número de clientes no SIB (Sistema de Informação de Beneficiários) e comparou seus reajustes médios.

Entre as dez, o maior percentual de reajuste foi da Amil (15,75%), seguida pela Porto Seguro Saúde (15,08%), Bradesco Saúde (12,62%), Unimed Nacional (12,48%) e SulAmérica (12,45%).

A Amil diz que tem o menor ticket médio entre as operadoras de grande porte que oferecem rede credenciada com hospitais e laboratórios de referência, e que se empenha para reduzir os reajustes sem perder qualidade assistencial, mantendo a sustentabilidade dos contratos. “Vale destacar que a Amil conquistou 810 mil clientes, de janeiro a outubro de 2025, a melhor performance do setor.”

A Hapvida, dona também da Notre Dame Intermédica, afirma que figura entre as operadoras com reajustes mais competitivos do setor, mesmo diante de um cenário de crescente pressão de custos na saúde. “A empresa mantém um dos menores tickets médios do mercado, resultado de um modelo assistencial baseado em rede própria, verticalizada e integrada, que contribui para maior eficiência operacional e melhor coordenação do cuidado”, diz.

“A operadora reforça seu compromisso em oferecer acesso ampliado à saúde suplementar com qualidade, eficiência e preços mais acessíveis. A empresa segue comprometida com a sustentabilidade do setor, equilibrando responsabilidade nos reajustes e a expansão de serviços que promovem qualidade, resolutividade e cuidado integral às pessoas”, acrescenta.

O Bradesco Saúde informou que “reajustes aplicados aos planos coletivos médico-hospitalares seguem estritamente o que está previsto nos contratos firmados entre as partes”.

A Unimed diz que o índice de reajuste dos planos “tende a ser superior ao da inflação, porque além do aumento dos preços de insumos e serviços, a maior frequência de utilização também impacta no cálculo. Nos últimos anos, as cooperativas médicas tiveram reajuste médio menor do que a média dos reajustes praticados pelo setor, conforme dados da ANS”.

Procurada por email, a Porto Seguro Saúde preferiu não se pronunciar. A SulAmérica não respondeu até a publicação desta reportagem.

A Fenasaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) diz que o índice de 11,15% é o menor dos últimos anos e que reflete uma desaceleração proporcionada por esforços de gestão. “Nos últimos dois anos, as operadoras intensificaram ações de controle de custos, negociação de preços, revisão de contratos, redução de desperdícios e combate às fraudes”, comenta.

Até o final de 2025, a entidade acredita que o reajuste deverá ficar em torno de duas vezes o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), diferente dos anos anteriores, quando chegou a ser aproximadamente três vezes maior.

Para a federação, um dos principais fatores que pressionam o reajuste das mensalidades é a variação dos custos médico-hospitalares, historicamente superior à inflação geral, além da incorporação de novas tecnologias, muitas vezes mais caras e sem compartilhamento de risco, o envelhecimento da população e o aumento da prevalência de doenças crônicas. “No cenário brasileiro, somam-se ainda fatores conjunturais, como a excessiva judicialização, muitas vezes direcionada à obtenção de procedimentos não previstos nos contratos”, diz.

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