Notícias | 29 de novembro de 2021 | Fonte: G1

Open finance deve ampliar potencial de inclusão financeira e do mercado de seguros

Compartilhamento e maior uso de dados vai levar a uma maior abertura do mercado, avaliam especialistas da FGV.

Um dos benefícios que o open finance – combinação entre os ambientes de compartilhamento de dados bancários, o open banking, e de seguros, o open insurance – vai trazer é um potencial de inclusão tanto financeira quanto no mercado de seguros. A conclusão vem dos especialistas que participaram do webinário da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre o impacto econômico do open insurance.

De acordo com o diretor da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Eduardo Fraga, o compartilhamento e maior uso de dados vai levar a uma maior abertura do mercado de seguros.

“Para fazer a precificação de uma carteira, a seguradora inclui uma margem de riscos, devido à incerteza dos riscos cobertos”, explicou o dirigente do regulador do mercado securitário.

“Mas quando tem uma quantidade maior de dados, essa margem pode diminuir porque é um fator relacionado à incerteza. E essa queda é mais forte para pessoas de baixa renda.”

Open Banking: veja quais dados podem ser compartilhados e quem pode ver

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Fraga citou como exemplo a experiência chinesa de uma plataforma que levou produtos de seguro a milhões de novos consumidores. Conforme o dirigente, a insurtech asiática usa dados de ratings de crédito, além de verificar condições preexistentes, para precificar um seguro que cobre doenças graves. “Em virtude da tecnologia e do uso intensivo de dados tem sido possível que esse tipo de cobertura de doenças graves seja entregue a pessoas de baixa renda ao custo de centavos de dólar para coberturas de até US$ 40 mil dolares”, contou.

Na visão do diretor da Susep, houve uma massificação desses produtos, distribuídos para mais de 100 milhões de clientes. “E a plataforma já tem planos de alcançar 300 milhões de beneficiários. Imagine isso numa plataforma aberta, como o open insurance?”

O CEO da BMG Seguros, Jorge Sant”Anna, enfatizou a importância da combinação entre informações presentes no open banking, como aquelas relacionadas ao PIX e pagamentos em geral, como uso de cartões, ao open insurance. “É muito importante mencionar que a mudança nos pagamentos feitos pelo BC, como a criação do PIX,é um grande habilitador no mercado de seguros”, disse.

Na avaliação do executivo, o ambiente de inovação, maior concorrência e uso de dados será fundamental para a amplificação dos mercados de seguros, que, no Brasil, são pequenos se comparados a outros países. Para Sant´Anna, ainda que a concorrência maior leve a uma queda de preços nos produtos, o aumento do público consumidor mais do que compensará esse impacto.

Segundo estimativas da BMG Seguros, a taxa de penetração do seguro auto em relação à frota de veículos pode saltar dos atuais 30% para 50% com o open insurance. “Se chego a 50% de penetração no auto há um aumento em R$ 22 bilhões no volume de prêmios e isso mesmo se os preços dos seguros do gênero caírem pela metade.”

Entenda o que é Open Banking

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Com a palavra, o BC

O diretor de Normas e Regulação do Banco Central, Otávio Damaso, afirmou no evento ver o papel do regulador como um habilitador das condições para que o próprio mercado implemente as inovações. “Diria que o BC não está à frente, mas deixando a avenida aberta para o sistema inovar”, ponderou.

De acordo com Damaso, “hoje todo mundo está atrás de dados para entender cada vez melhor o cliente e oferecer produtos que realmente tragam valor a ele”.

Para o diretor do BC, o open banking surgiu como uma forma de quebrar a assimetria em relação ao uso das informações, que, até um passado recente, “ficavam paradas dentro das instituições financeiras”.

Damaso reforçou que, quem detém o instrumento de pagamento, consegue saber como, onde, quanto e quando o cliente gasta. “A instituição vai entender o hábito de consumo e pelos dados de pagamento que o cliente gera.”

O dirigente da autoridade monetária pontuou ainda que existe outra frente de coleta de dados tão importante quanto. “Tem ainda a frente da mensagem, se o participante tem [sistema de] mensageria começa a colher outras informações valiosas, como interesses, hobbies, hábitos de comportamento e posicionamentos.”

Para Damaso, “o objetivo de qualquer player do mercado é dominar todos esses três instrumentos [dados financeiros, de pagamentos e de mensageria]”. Essa visão, segundo o diretor, norteia a implementação do PIX e do open finance.

Conforme Damaso, o primeiro passo para a implementação do open finance será dado em dezembro. “Em meados de dezembro a gente conclui a quarta fase [do open banking], que será o primeiro movimento de implementação de open finance.”

Diretor da Susep, Vinicius Brandi acrescentou que o cronograma de implementação do open insurance se estende até o fim do próximo ano. “A fase um [com possibilidade de copartilhar dados públicos] será implementada em dezembro de uma maneira coordenada com o início da fase quatro do open banking, que inclui produtos de seguros [de seguradoras ligadas às instituições financeiras]”, afirmou.

Segundo Brandi, a fase dois do open insurance está prevista para começar em setembro, com previsão de abrir a possibilidade de o consumidor autorizar compartilhamento de dados pessoais. A última etapa está prevista para começar a partir de dezembro de 2022, já contemplando a parte transacional e de produtos.

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