Notícias | 13 de outubro de 2025 | Fonte: g1

Nutricionista e médico são presos por fraude no reembolso de planos de saúde

Reprodução/TV Globo

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil do RJ prenderam na manhã desta sexta-feira (10) uma nutricionista por fraude em reembolsos de planos de saúde. A mãe dela também foi presa. O caso foi revelado pelo RJ2 em dezembro.

Paula Carolina da Silva Morais e a mãe, Márcia Cristina Teixeira da Silva, secretária da clínica, foram presas em casa, em Nova Iguaçu. O médico Luiz Victor dos Passos Fernandes se apresentou na 52ª DP (Nova Iguaçu). Ele é noivo de Paula.

Os mandados de prisão foram expedidos pela 1ª Vara Criminal da cidade, após o trio ser denunciado pelo MPRJ pelos crimes de estelionato eletrônicofalsidade ideológicafalsa identidadesonegação fiscal e associação criminosa.

De acordo com a denúncia do MPRJ, Paula abria contas bancárias em nome de pacientes, empregados da Light, sem eles saberem, pedia uma série de exames e medicamentos e recebia o reembolso do plano de saúde.

Quando a operadora descobriu a fraude descredenciou Paula, e a Light demitiu todos os funcionários que se consultaram com a nutricionista.

A polícia já identificou 121 denúncias contra Paula Morais em diferentes delegacias. Apenas na delegacia de Nova Iguaçu, são 32 funcionários que dizem ter sofrido o golpe.

Falso reconhecimento facial

O golpe da nutricionista era bem elaborado, segundo os investigadores. Primeiro, Paula atraia clientes com a promessa de emagrecimento e ganho de massa muscular.

Ela oferecia um tratamento que incluía tudo, inclusive medicamentos e suplementos. Os pacientes contam que a armação começava logo na primeira consulta.

“Logo na entrada, a secretária dela solicitava pra gente o login e a senha do plano de saúde, para fazer o cadastro do reembolso assistido”, disse uma das vítimas que não quis se identificar.

“A informação que foi passada pra gente é que a gente teria um apoio administrativo da empresa da própria nutricionista, daquele grupo, para solicitar à Amil o valor que a gente seria cobrado pelo plano, de atendimento”, contou.

Sem saber, os próprios clientes aceitavam fazer uma foto, que na verdade era o reconhecimento facial do paciente para a abertura de uma conta bancária.

“A gente tem que dar o login e senha pra ela e que ela trata diretamente com a Amil. Os pedidos junto à Amil, é ela que faz diretamente. (…) E ela pega o telefone dela e reconhece a nossa. Tira uma foto do nosso rosto”, contou a vítima.

Além da foto para a abertura de uma conta bancária digital, a nutricionista e a mãe dela, que trabalhava como secretária, utilizavam o celular para uma nova foto e reconhecimento facial, dessa vez na segunda consulta do paciente. Nesse caso, ela utilizava a imagem para fechar o pedido de reembolso.

“A primeira foto é pra o início de um processo de abertura de conta digital, em nome da vítima, sem conhecimento dela. A vítima vai embora. Em uma segunda consulta, a vítima volta, ela faz o atendimento e alega que há necessidade de fazer um reconhecimento facial”.

“Tudo isso é feito no celular da Paula. Esse reconhecimento facial é para confirmar a abertura de conta em nome da vítima. Na maioria dos procedimentos, ela abriu uma conta sem conhecimento da vítima, para que recebesse o reembolso”, explicou o delegado Márcio Esteves, responsável pela investigação.

Segundo a polícia, com login e senha do plano de saúde, e com a conta aberta em nome do paciente, Paula começava a lançar no sistema exames que nunca foram feitos, em laboratórios que, de acordo com as investigações, eram de fachada.

“O reembolso é no valor de R$ 4,7 mil. É o valor padrão dos exames que ela pede. E aí o plano de saúde reembolsa na conta informada por ela. Ou seja, ela que recebe o reembolso total”, afirmou o delegado.

Medicamentos de uso controlado

As investigações mostram que a nutricionista Paula Morais também receitava e fornecia medicamentos de uso controlado, o que é ilegal.

Em uma troca de mensagens, a nutricionista e o paciente falam sobre a entrega de suplementos ligados à musculação, como proteína e creatina, além de vitaminas e duas substâncias que chamaram atenção da polícia: Durateston e Masteron. Os produtos são esteroides usados em terapias hormonais.

Apenas um médico poderia receitar essas substâncias. Desde 2023, o Conselho Federal de Medicina proibiu a prescrição de terapias hormonais com finalidade estética e de desempenho esportivo.

Funcionários demitidos

As vítimas do golpe eram os planos de saúde e os funcionários da Light. Contudo, os trabalhadores ainda foram demitidos após o golpe ser descoberto.

Quando o plano de saúde descobriu a fraude dos reembolsos, descredenciou os beneficiários que eram atendidos pela nutricionista.

Sem plano de saúde, necessário para trabalhar na Light, a empresa demitiu os funcionários. Além dos casos investigados na delegacia de Nova Iguaçu, existem dezenas de outros registros em outras delegacias.

Com 20 anos de serviço prestado a empresa de energia, um dos funcionários demitidos tenta se recolocar no mercado de trabalho. Ele vem encontrando dificuldades por conta do golpe que tomou.

“Todas as empresas que tiverem o plano de saúde Amil, eu não posso trabalhar. Eu me sinto muito mal, envergonhado com tudo que está acontecendo, fora os danos materiais que eu tô tendo”, contou uma das vítimas.

O que diz a Amil

A empresa emitiu uma nota sobre o caso. Veja na íntegra:

“A Amil busca ativamente informar seus beneficiários sobre fraudes e golpes que, lamentavelmente, exigem atenção constante, monitoramento intensivo e ação coordenada com as autoridades, inclusive com abertura de notícias-crimes e processos judiciais sempre que verificados indícios de fraudes. Mais informações podem ser obtidas na plataforma.

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