Notícias | 16 de setembro de 2024 | Fonte: CQCS | Nicholas Godoy com informações do Valor Econômico

Mudanças climáticas redefinem gestão de riscos no setor de seguros

Foto Divulgação/Corpo de Bombeiros

As mudanças climáticas estão forçando as seguradoras a reavaliar profundamente suas estratégias de gerenciamento de riscos, adaptando-se a um cenário cada vez mais imprevisível. O impacto crescente de eventos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas, exige uma transformação no modelo de negócios do setor. De acordo com informações transmitidas pelo Valor Econômico, Amauri Vasconcelos, presidente da BrasilSeg, destaca que o Brasil, antes considerado relativamente seguro contra desastres naturais, agora enfrenta desafios inéditos. “Os eventos naturais extremos aprenderam o caminho”, afirmou Vasconcelos, ressaltando como as chuvas intensas no Rio Grande do Sul, ocorridas entre abril e maio, provocaram um impacto econômico comparável à pandemia de covid-19, que se estendeu por mais de dois anos.

Impacto financeiro sem precedentes

Os números evidenciam a magnitude do problema. Segundo informações divulgadas pelo Valor, durante a pandemia, as seguradoras no Brasil desembolsaram cerca de R$ 7 bilhões em indenizações relacionadas à covid-19, sendo que a BrasilSeg foi responsável por R$ 2 bilhões desse montante. As enchentes no Rio Grande do Sul, em apenas dois meses, já somavam R$ 5,6 bilhões em pagamentos por sinistros até o final de julho, com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) prevendo que o total pode alcançar entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões.

Dyogo Oliveira, presidente da CNSeg, ressalta a necessidade de modernizar os métodos de avaliação de riscos. “Ainda usamos modelos baseados em séries históricas, mas a quebra dessas séries é evidente com as mudanças climáticas”, afirmou Oliveira ao Valor. O setor enfrenta, portanto, o desafio de adaptar suas ferramentas de previsão de eventos catastróficos a um novo paradigma, onde o passado já não serve como referência confiável para o futuro.

Frequência de eventos extremos

Outro ponto levantado por Marcos Falcão, diretor-presidente do IRB (Re), em entrevista ao Valor, é a maior frequência de eventos antes considerados raros. “Fenômenos que ocorriam uma vez a cada 100 ou 200 anos agora são mais comuns”, explicou. Isso aumenta os riscos e, consequentemente, eleva os preços dos seguros. Porém, o aumento dos custos gera um paradoxo: enquanto o risco de desastres cresce, muitas pessoas deixam de contratar seguros devido ao encarecimento das apólices. “Esse é o grande desafio para o setor: garantir que o seguro continue acessível em um cenário onde sua importância é cada vez mais evidente”, concluiu Falcão ao Valor Econômico.

As seguradoras estão sendo pressionadas a encontrar novas soluções para lidar com os riscos emergentes. Entre as alternativas estão o uso de novas tecnologias para prever eventos climáticos e a criação de produtos de seguros mais acessíveis, que possam atender tanto às demandas dos consumidores quanto à sustentabilidade do próprio setor. De acordo com informações apuradas pelo Valor Econômico, a resposta a esses desafios determinará o futuro da indústria de seguros em um mundo cada vez mais afetado pelas mudanças climáticas.

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