Notícias | 23 de julho de 2026 | Fonte: CQCS | Paulo Victor

Jovens ainda resistem ao seguro de vida, apesar da ampliação dos benefícios

Embora o mercado de seguros tenha ampliado a oferta de produtos e incorporado novos serviços voltados à prevenção e ao bem-estar, o seguro de vida ainda enfrenta um desafio importante: conquistar o público jovem. A percepção de que esse tipo de proteção é necessário apenas em idade mais avançada ou para quem já constituiu família continua sendo uma das principais barreiras para a expansão da modalidade.

Em muitos casos, pessoas entre 20 e 35 anos priorizam gastos relacionados à moradia, educação, lazer, viagens e construção da carreira profissional. Como consequência, o planejamento financeiro de longo prazo acaba ficando em segundo plano, e a contratação de um seguro de vida costuma ser adiada.

Na avaliação de Josusmar Sousa, CEO da Mister Líber Corretora de Seguros, o principal obstáculo não é o preço, mas a forma como o produto ainda é percebido pelos jovens. Segundo ele, muitos continuam associando o seguro de vida exclusivamente à morte, deixando de enxergar a proteção como parte do planejamento financeiro. “O jovem normalmente associa o seguro de vida apenas à morte, e isso cria uma barreira natural. A prioridade costuma estar em construir patrimônio, viajar ou investir, enquanto a proteção acaba ficando para depois”, afirma.

Essa percepção, no entanto, contrasta com a evolução dos próprios produtos oferecidos pelo mercado. Nos últimos anos, o seguro de vida deixou de ser visto apenas como uma indenização destinada aos beneficiários em caso de morte e passou a oferecer uma série de coberturas que podem ser utilizadas pelo próprio segurado ao longo da vida.

Atualmente, muitas apólices incluem proteção para doenças graves, invalidez, diárias por incapacidade temporária, assistência funeral, telemedicina, apoio psicológico, orientação nutricional, segunda opinião médica e outros serviços que agregam valor ao dia a dia do cliente. Para Josusmar, o mercado já evoluiu, mas a comunicação ainda não acompanhou essa transformação. “Hoje o seguro oferece benefícios que fazem parte da rotina das pessoas, como telemedicina, apoio psicológico, descontos em medicamentos e diversas assistências. Essa transformação ainda precisa ser melhor comunicada”, ressalta.

Outro fator que contribui para a resistência é a falta de informação. Ainda há quem associe o seguro de vida exclusivamente à morte, sem conhecer as coberturas adicionais disponíveis ou compreender o papel da proteção financeira diante de situações inesperadas, como acidentes, afastamento do trabalho ou doenças que comprometam a renda familiar.

Segundo o executivo, quando esses benefícios são apresentados de forma consultiva pelos corretores, a percepção do consumidor muda. Ele observa que muitos jovens se surpreendem ao descobrir que algumas apólices oferecem proteção em caso de doenças graves, assistência residencial, segunda opinião médica e até antecipação da indenização em determinadas situações. “Quando o corretor apresenta o seguro como uma solução de proteção para a vida — e não apenas para a morte — o cliente passa a enxergar valor imediato na contratação”, destaca.

Para o mercado de seguros, ampliar a educação financeira e o conhecimento sobre o seguro de vida tem sido um dos principais desafios. A comunicação também precisou evoluir. Em vez de focar apenas na indenização, seguradoras e corretores passaram a destacar conceitos como proteção da renda, qualidade de vida, planejamento financeiro e acesso a serviços de saúde e assistência.

Nesse contexto, os corretores de seguros desempenham um papel estratégico ao apresentar o produto de forma consultiva, mostrando que a proteção pode fazer sentido mesmo para quem está iniciando a vida profissional. Explicar as coberturas, esclarecer dúvidas e adaptar as soluções ao perfil de cada cliente são fatores que podem contribuir para reduzir a distância entre os jovens e o seguro de vida.

Para Josusmar, essa mudança depende de um esforço conjunto entre seguradoras e corretores. Enquanto as empresas precisam desenvolver produtos cada vez mais simples, digitais e alinhados ao perfil das novas gerações, os profissionais da corretagem têm a missão de inserir o seguro de vida na discussão sobre planejamento financeiro desde o início da vida adulta. “O seguro de vida precisa entrar na conversa sobre planejamento financeiro da mesma forma que investimentos, previdência ou reserva de emergência. Proteger a capacidade de gerar renda é uma das primeiras decisões financeiras que qualquer pessoa deveria tomar”, afirma.

A mudança de comportamento das novas gerações também representa uma oportunidade para o setor. Consumidores mais conectados valorizam experiências digitais, atendimento rápido, flexibilidade e produtos personalizados. Isso tem levado as seguradoras a investir em jornadas mais simples de contratação, plataformas digitais e soluções que dialoguem com as expectativas desse público.

Na avaliação do CEO da Mister Líber, aproximar os jovens do seguro de vida passa também por uma mudança de narrativa. Em vez de concentrar a comunicação dos riscos e na morte, o mercado precisa mostrar que o produto é uma ferramenta de proteção patrimonial, estabilidade financeira e qualidade de vida. “Quanto mais cedo essa proteção começa, menor tende a ser o custo e maior é o tempo para acumular benefícios e garantir tranquilidade diante dos imprevistos”, conclui.

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