A Justiça do Ceará condenou o professor Leonardo Nascimento Chaves a 39 anos de prisão e dois anos de detenção por feminicídio após mandar matar a esposa, a professora Kaianne Bezerra Lima Chaves, com o objetivo de receber o seguro de vida dela. A vítima foi torturada e morta dentro de casa por criminosos durante um suposto assalto, forjado pelo marido, em Aquiraz (CE), em agosto de 2023.
O que aconteceu
Tribunal do júri terminou na tarde de hoje após 26 horas de julgamento. Além de Leonardo, o executor do crime, Adriano Andrade Ribeiro, foi condenado a 35 anos de prisão e dois anos de detenção. Ambos foram sentenciados pelos crimes de feminicídio, corrupção de menores, furto e fraude processual. Além da dupla, um homem chegou a ser denunciado pelo crime, mas a justiça negou o julgamento dele pelo júri por falta de provas. Já um adolescente que participou do caso respondeu ao ato infracional no sistema socioeducativo.
O caso corre em segredo de justiça, mas a decisão do tribunal do júri foi obtida pela reportagem. O magistrado Francisco Domingos de Luna Filho determinou o imediato cumprimento de sentença pela dupla. Ambos seguem presos e sem possibilidade de recorrer em liberdade.
Juiz afirmou que Leonardo premeditou o crime, inclusive facilitando a entrada dos executores na residência. Também declarou que o homem teve uma atitude insensível por “passar por cima do corpo” da mulher por diversas vezes transitando entre o quarto e sala da residência, “demonstrando grande frieza e indiferença para com a vida humana”. O magistrado ainda citou que o homem chorou sobre o cadáver da vítima no enterro.
Justiça indicou que Leonardo encomendou o feminicídio por motivo torpe, visto que o objetivo era obter os valores do seguro de vida da vítima, de R$ 60 mil, contratado dois meses antes do crime. O tribunal discorreu que Leonardo contratou Adriano para matar Kaianne, indicando a data e horário, bem como o modus operandi a ser utilizado na ação criminosa.
Justiça indicou que Leonardo encomendou o feminicídio por motivo torpe, visto que o objetivo era obter os valores do seguro de vida da vítima, de R$ 60 mil, contratado dois meses antes do crime. O tribunal discorreu que Leonardo contratou Adriano para matar Kaianne, indicando a data e horário, bem como o modus operandi a ser utilizado na ação criminosa.
Adriano também responderá por furto qualificado por ter levado bens de Leonardo e da vítima na tentativa de esconder a natureza do crime. Alguns itens furtados foram separados previamente com aprovação de Leonardo.
Dupla também foi condenada a pagar o valor mínimo de R$ 50 mil aos pais de Kaianne a título de danos morais. De Luna Filho também determinou que Leonardo perca o cargo público estadual de professor visto a “absoluta incompatibilidade das funções do cargo com o crime hediondo praticado pelo acusado, que não mais detém capacidade para instruir, educar, falar de virtude e formar cidadãos e cidadãs para viver harmonicamente em sociedade após planejar e executar a morte da própria esposa”.
O casal estava junto havia 12 anos e não tinha filhos. Segundo relatos da família à época do crime, os dois se relacionavam muito bem e faziam planos de morar fora do país.
As defesas de Leonardo e Adriano não foram encontradas para pedido de posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.
O crime
Kaianne foi feita refém na casa onde morava pouco depois das 21 horas do dia 26 de agosto de 2023, por dois homens. Na primeira versão sobre o crime, o marido havia sido rendido na calçada por um homem e um adolescente armados. O marido teria escapado com ferimentos.
As investigações apontaram, porém, que Leonardo se encontrou com os suspeitos uma hora antes do crime. Adriano e o adolescente chegaram a um shopping perto da casa da vítima e entram em uma sorveteria. Cerca de 20 minutos antes de a dupla entrar no estabelecimento, Leonardo também havia chegado ao local.
Quando Leonardo passa em frente à sorveteria novamente, ele é seguido pela dupla. Os três ficam 11 minutos conversando no estacionamento. “Prova por A mais B que houve esse encontro. Aí, no novo depoimento, eles [a dupla] confessam a autoria do crime e a participação do marido da vítima”, disse o delegado Gustavo Pernambuco, diretor da Polícia Judiciária do Ceará, à época do crime.
Na ocasião, Leonardo teria combinado o momento em que jogaria água nas plantas fora de casa, quando deveria ser abordado pelos criminosos. As câmeras da residência estariam desligadas.
No dia do crime, câmeras da rua flagraram Leonardo regando plantas na calçada com o portão aberto, quando é abordado pela dupla que matou Kaianne. Depois do crime, a dupla roubou objetos de valor e fugiu com o carro da contadora.
O caso foi registrado inicialmente como latrocínio (roubo seguido de morte). Durante a investigação, porém, o adolescente suspeito disse à Polícia Civil que Leonardo encomendou o crime.
Em caso de violência, denuncie
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008

