O Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. Ao mesmo tempo, a estimativa para a inflação medida pelo IPCA caiu de 5,1% para 4,9%. As novas previsões constam do Boletim Macrofiscal de setembro, divulgado na terça-feira (22) pela Secretaria de Política Econômica (SPE).
A revisão do PIB reflete principalmente a redução das projeções para os setores de serviços e indústria, parcialmente compensada por uma expectativa maior para a agropecuária. O Ministério da Fazenda também aponta que a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista e a desaceleração esperada da atividade econômica devem continuar influenciando o cenário ao longo do segundo semestre.
Para o mercado de seguros, o ambiente de juros elevados e crescimento mais moderado pode afetar principalmente os produtos diretamente relacionados à aquisição de bens financiados. Segundo o consultor econômico Francisco Galiza, os efeitos não devem atingir todos os ramos da mesma maneira.
“Os primeiros ramos a sentirem os impactos são aqueles ligados a financiamentos, como o seguro de automóveis. Quando os juros estão elevados, as pessoas compram menos bens e, consequentemente, contratam menos seguros.”
A relação entre juros e contratação de seguros passa principalmente pelo comportamento do consumidor. Com o crédito mais caro, a aquisição de veículos e outros bens financiados tende a ser afetada, reduzindo também a contratação de produtos associados a essas operações.
A ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) também reforçou que a atividade econômica vem apresentando sinais de desaceleração sob os efeitos da política monetária. Na reunião mais recente, o Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano, mas sinalizou cautela sobre os próximos passos e manteve a avaliação de que os juros precisam permanecer em nível restritivo para garantir a convergência da inflação à meta.
Nesse cenário, o corretor tem pouca influência sobre o comportamento das taxas de juros, mas pode adaptar sua estratégia comercial diante de mudanças na demanda dos clientes. Para Galiza, a resposta passa pela diversificação das opções oferecidas.
“Sobre a abordagem comercial, o corretor tem pouca margem para atuar em relação à taxa de juros, por se tratar de um fator macroeconômico externo. O recomendável é que, ao perceber a queda no consumo de determinados produtos, o profissional busque diversificar as suas opções e oferecer alternativas aos clientes.”
A orientação ganha importância em um momento em que diferentes produtos podem reagir de maneiras distintas à desaceleração econômica. Em vez de buscar um segmento que necessariamente se beneficie do cenário, a avaliação, segundo Galiza, deve considerar quais produtos podem sofrer menos com a redução do consumo.
“Em cenários como este, a questão central não é quais produtos vão ‘ganhar’ relevância, mas sim quais vão perder menos. Os produtos que tendem a sofrer menor impacto são aqueles adquiridos à vista ou não atrelados a financiamentos, como o seguro residencial, por ter um custo mais acessível.”
A projeção do Ministério da Fazenda indica, portanto, um cenário de crescimento mais moderado para 2026, enquanto a política monetária ainda exerce pressão sobre o crédito e a demanda. Para os corretores, o movimento reforça a necessidade de acompanhar o comportamento dos consumidores e identificar mudanças no perfil de contratação, sem deixar de apresentar alternativas de proteção de acordo com as necessidades e possibilidades de cada cliente.
Mais do que uma redução generalizada na procura por seguros, o cenário pode produzir efeitos diferentes entre os ramos. Produtos associados ao financiamento tendem a ficar mais expostos ao comportamento do crédito, enquanto modalidades de menor custo e não diretamente vinculadas à aquisição de bens financiados podem apresentar uma dinâmica diferente.

