O caso de uma jovem de 27 anos acusada de ter desviado cerca de R$ 60 mil de uma corretora de seguros na cidade de Barretos ganhou destaque nos últimos dias. O crime, descoberto pelo proprietário da empresa, um senhor de 66 anos, expõe não apenas um prejuízo financeiro, mas também fragilidades nos controles internos e os riscos que desvios de produção representam para a reputação e a credibilidade das corretoras.
A ex-funcionária, que exercia função de confiança na corretora, teria gerado boletos falsos e realizado transferências via Pix para sua própria conta, levando o corretor e proprietário a acreditar que se tratavam de pagamentos legítimos da empresa. Mas a história era bem diferente.
Segundo o registro policial, os desvios ocorreram de forma continuada ao longo de aproximadamente um ano, causando prejuízo estimado em R$ 60 mil. A materialidade do crime foi reforçada por documentos apresentados pela vítima e por uma mensagem de WhatsApp em que a autora admite a apropriação indevida dos valores. O caso foi registrado como estelionato e encaminhado ao setor de investigação.
Do ponto de vista do advogado Dorival Sousa, a situação não é apenas um alerta sobre a perda financeira, mas sobretudo sobre os riscos de desvios de produção e o impacto direto desses episódios na reputação e na credibilidade de uma empresa. A falta de acompanhamento adequado, segundo ele, pode abrir espaço para práticas indevidas por parte de colaboradores, comprometendo a regularidade das operações e a relação de confiança com clientes e parceiros.
“Se um sinistro ocorrer nesse cenário, a corretora poderá enfrentar não apenas repercussões financeiras, mas também responsabilidade civil e criminal, podendo o empresário corretor de seguros ser responsabilizado por atos ilícitos praticados por seus colaboradores. Além disso, ele poderá responder a processos administrativos junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep)”, lembra o especialista.
Sendo assim, Sousa alerta para uma série de cuidados que os empresários corretores de seguros devem tomar. Entre as medidas preventivas estão a realização de auditorias financeiras e de produção, o uso de ferramentas para acompanhamento em tempo real das transações e a promoção de treinamentos sobre ética profissional. Também é recomendável restringir o acesso a informações sensíveis, manter canais anônimos de denúncia e realizar avaliações periódicas de riscos, garantindo a conformidade com as normas da Susep.
“Os empresários do setor de seguros precisam estar cientes de que a proteção contra fraudes e desvios de produção vai além da confiança nas equipes; é uma responsabilidade que exige uma gestão proativa e rigorosa. O recente caso serve como um lembrete de que a vigilância ativa e o acompanhamento da produção são fundamentais para evitar perdas financeiras, processos judiciais e sanções administrativas”, destaca.

