Notícias | 2 de abril de 2026 | Fonte: FenaSaúde

FenaSaúde debate novos marcos de precificação de medicamentos e alerta para impacto no acesso à saúde no Brasil

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) realizou, nesta terça-feira (31), mais uma edição do fórum “Diálogos Executivos FenaSaúde”. Com o tema “Precificação de Medicamentos”, o evento promoveu um painel aprofundado sobre um dos principais desafios da saúde no país: o custo crescente dos medicamentos. A discussão tratou da urgência de modernizar a metodologia de precificação diante de um cenário de incorporação acelerada de tecnologias de alto custo e terapias avançadas.

O Diretor-Executivo da FenaSaúde, Bruno Sobral, destacou que o debate  sobre preços está diretamente ligado à viabilidade da assistência ao paciente, já que o desequilíbrio econômico no setor impacta diretamente o beneficiário.

“Os medicamentos já representam cerca de 10% dos custos totais das operadoras de planos de saúde, mas nosso propósito não é analisar custos operacionais, e sim o acesso à saúde”, afirmou Sobral. “Quando o custo se torna impeditivo, ele é repassado ao beneficiário. Isso restringe o número de pessoas que conseguem manter um plano de saúde. Isso vai na direção oposta ao que desejamos para a saúde suplementar no Brasil, que deve ser um sistema sustentável, capaz de garantir assistência de qualidade para milhões de brasileiros.”

O secretário-executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), Mateus Amâncio, detalhou a nova resolução do órgão, que entra em vigor em 29 de abril. Entre os avanços, estão as novas regras para biossimilares, com deságio de 20% em relação ao medicamento de referência, e o incentivo à inovação incremental produzida no Brasil.

“O paciente não deixa de precisar do medicamento quando o preço sobe. A regulação garante o equilíbrio entre o lucro da indústria e o interesse da sociedade. Ainda este ano, está prevista a definição de novos critérios para o reajuste de radiofármacos e terapias avançadas”, explicou Amâncio.

A diretora da ANS, Lenise Secchin, reforçou que a agência lida com uma pressão tecnológica sem precedentes e que a incorporação de novos itens ao Rol de Procedimentos deve ser criteriosa.

“O Brasil possui um dos prazos de incorporação mais rápidos do mundo, o que exige cautela. Os planos de saúde já são a segunda maior despesa das empresas, atrás apenas da folha de pagamento, e por isso precisamos evoluir para modelos em que o pagamento esteja atrelado à eficácia real do tratamento no paciente. Nosso papel é tomar decisões baseadas em evidências científicas e impacto orçamentário, não em achismos, garantindo a sustentabilidade do sistema e da sociedade”, destacou Secchin.

O professor da FGV, Daniel Wang, trouxe uma perspectiva crítica internacional, questionando o conceito de “preço justo” e o descolamento entre o valor cobrado e o investimento real em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

“Preço justo é aquele que o sistema consegue pagar sem sacrificar a inovação futura. Hoje, vemos medicamentos recuperando investimentos em três anos, enquanto o restante do período de patente gera lucros que muitas vezes financiam mais marketing do que ciência”, afirma Wang.

Para Luiz Otávio de Andrade, presidente da Unimed CNU, é necessário ampliar o debate sobre quais tecnologias devem ser priorizadas na produção de medicamentos.

“À medida que a tecnologia em saúde evolui e novas soluções são incorporadas, a sociedade passa a ter o privilégio de contar com mais alternativas para o cuidado. Ao mesmo tempo, cresce o desafio de sustentar o aumento de custos gerado por essas inovações”, concluiu Andrade.

FAÇA UM COMENTÁRIO

Esta é uma área exclusiva para membros da comunidade

Faça login para interagir ou crie agora sua conta e faça parte.

FAÇA PARTE AGORA FAZER LOGIN

Valorizamos sua privacidade

O CQCS utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência, personalizar conteúdos e analisar o nosso tráfego. Ao continuar navegando, você concorda com o uso dessas tecnologias, de acordo com a nossa Política de Privacidade.

Personalizar preferências de consentimento

NecessárioSempre ativo

Estes cookies são essenciais para o funcionamento adequado do site, garantindo recursos básicos de segurança e acessibilidade. Eles não armazenam nenhuma informação pessoal identificável.

Funcional

Permitem que o site lembre das suas escolhas e forneça funcionalidades aprimoradas e personalizadas, como compartilhamento em redes sociais e integração de recursos de terceiros.

Sem cookies para exibir.

Analítico

Ajudam a entender como os visitantes interagem com o site, coletando e relatando informações de forma anônima. Fornecem dados sobre número de visitantes, tempo na página e fontes de tráfego.

Desempenho

Utilizados para compreender e analisar os principais índices de desempenho do site, ajudando a proporcionar uma experiência de navegação otimizada para os usuários.

Sem cookies para exibir.

Anúncio

Usados para fornecer anúncios mais relevantes aos visitantes com base em suas navegações anteriores, além de ajudar a medir a eficácia das campanhas publicitárias.

Sem cookies para exibir.