Notícias | 5 de outubro de 2026 | Fonte: CQCS l Ana Mello

Corinthians acumula prejuízo de R$ 278 milhões: como os seguros podem proteger o clube?

Créditos: Getty Images

O Corinthians acumulou um prejuízo de R$ 278 milhões em 2026, segundo levantamento divulgado pelo Estadão. Apenas em julho, o clube registrou déficit de R$ 32 milhões. O cenário evidencia os desafios financeiros enfrentados pelas grandes equipes e também chama atenção para outro aspecto da gestão: a necessidade de seguros para proteger ativos que podem representar milhões de reais.

No futebol, uma lesão grave de um atleta, um acidente em um estádio, danos ao centro de treinamento ou uma responsabilidade envolvendo terceiros podem gerar despesas relevantes e pressionar ainda mais o caixa. Para a Head de Negócios da Atleta Seguro, Liciane da Luz, o seguro pode ser uma ferramenta importante dentro de uma estratégia mais ampla de gerenciamento de riscos.

“Quando falamos em clubes de futebol, estamos falando de organizações que administram ativos de altíssimo valor e que estão expostas a uma série de riscos. O atleta é, sem dúvida, um dos principais ativos e também uma das maiores exposições financeiras.”

Segundo ela, uma lesão, invalidez ou acidente pode gerar consequências financeiras que vão além do afastamento do jogador, já que o clube pode continuar responsável por salários, contratos e outros custos.

“Por isso, existe um conjunto de seguros que pode ser utilizado dentro de uma estratégia de gerenciamento de riscos. O seguro não substitui uma boa gestão financeira, mas pode evitar que um evento inesperado provoque uma perda ainda maior no caixa do clube.”

Entre as principais soluções estão os seguros voltados aos próprios atletas. Liciane destaca a importância das coberturas obrigatórias, incluindo invalidez laborativa, além de despesas médicas, hospitalares e odontológicas decorrentes de acidentes.

Também existem estruturas específicas para atletas em transferência ou cessão temporária, nas quais é necessário avaliar quem possui o interesse segurável e quais responsabilidades estão previstas no contrato.

A proteção, porém, não termina nos jogadores. Estádios, centros de treinamento, alojamentos, equipamentos e demais estruturas podem ser protegidos por seguros patrimoniais contra riscos como incêndio, danos elétricos e outros eventos previstos nas apólices.

Já o seguro de responsabilidade civil pode ajudar diante de acidentes envolvendo torcedores, funcionários, atletas, prestadores de serviço e outros terceiros.

“Ou seja, quando falamos em seguro para um clube de futebol, não estamos falando de uma única apólice. Estamos falando de um programa de seguros, que deve ser construído a partir do mapa de riscos daquela organização.”, esclarece a Head da Atleta Seguros.

Dependendo da estrutura do clube, também podem ser avaliados seguros para equipamentos eletrônicos, eventos e competições, além do D&O, voltado à proteção de administradores e dirigentes.

O mercado também oferece soluções específicas para proteger determinados riscos relacionados aos atletas. Segundo Liciane, já existem no Brasil produtos com capacidade para garantir indenizações de até R$ 25 milhões por atleta, dependendo das características do risco e das condições de aceitação da seguradora.

Isso não significa, porém, que qualquer queda no valor de mercado de um jogador será automaticamente coberta.

“É necessário analisar exatamente qual risco está sendo transferido para a seguradora, qual é o capital segurado, quais eventos geram direito à indenização, os critérios de caracterização da invalidez, as condições contratuais e as exclusões previstas na apólice.”, explica a executiva.

Uma lesão que afasta um atleta por alguns meses, por exemplo, não necessariamente representa uma invalidez permanente. Por isso, a estrutura da apólice precisa considerar o contrato, a remuneração, a atividade desempenhada, o período de vínculo e o risco financeiro que o clube pretende transferir.

O futebol reúne características que tornam a gestão de riscos especialmente complexa: atletas com remunerações elevadas, transferências, empréstimos, categorias de base, competições, estádios, centros de treinamento e eventos.

Para o corretor, Liciane explica que esse cenário abre espaço para uma atuação mais consultiva, especialmente na construção de programas personalizados para cada clube.

“O primeiro cuidado é entender profundamente o risco que está sendo contratado. É preciso conhecer o contrato do atleta, sua remuneração, idade, atividade, duração do vínculo, condições da cobertura, critérios de invalidez, exclusões e documentação necessária para eventual regulação de sinistro.”

Outro ponto é verificar se a apólice atende às exigências da legislação esportiva e às necessidades específicas da organização.

Na avaliação de Liciane, a especialização pode ser um diferencial para quem pretende atuar nesse mercado. “O corretor que conhece seguros, mas também entende a dinâmica dos clubes, dos contratos esportivos e da legislação, consegue oferecer uma solução muito mais adequada.”

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