Notícias | 3 de setembro de 2025 | Fonte: CQCS l Beatriz Adamoli com informações do Valor Econômico

Ciberseguro ganha força com avanço da regulação e aumento dos ataques digitais

De acordo com uma reportagem do Valor Econômico, o elevado volume de transações digitais, aliado às falhas de governança e ao desconhecimento dos riscos envolvidos, torna o Brasil um alvo frequente de ataques cibernéticos. Dados relativos ao primeiro semestre de 2025 expostos pela Serasa Experian mostram que ocorreram 6,4 milhões de tentativas de fraude, uma a cada 2,4 segundos, que se consumadas resultariam em uma perda de R$ 39,8 bilhões. Além disso, um estudo global da IBM estima que o custo médio de uma violação de dados por empresa é de US$ 4,4 milhões (equivalente a R$ 24 milhões). Um em cada seis ataques foi conduzido com o uso de inteligência artificial (IA), enquanto dois terços das organizações ainda não possuem políticas para gerenciar essa tecnologia. Devido a isso, o seguro contra riscos cibernéticos passou a ser um investimento relevante.

Em agosto, o governo federal publicou o decreto 12.573, que institui a Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber), indicando ao mercado que a gestão dos riscos digitais precisa se tornar prioridade. O texto determina ações voltadas à educação em segurança da informação, ao fortalecimento das infraestruturas críticas e à colaboração entre setores público e privado.

“Esse decreto funciona como um megafone, mostrando às companhias a importância do risco cibernético e aumentando a visibilidade da oferta de seguros”, declara Victor Perego, gerente de ciberseguros da AIG e membro da subcomissão de linhas financeiras da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Desde a pandemia, o setor de ciberseguro registra taxas médias anuais de crescimento de dois dígitos, impulsionado pelo trabalho remoto, pela consolidação da computação em nuvem e pela explosão do “ramsomware”, uma forma de extorsão realizada por meio do bloqueio dos dados da vítima. Neste sentido, pequenas e médias empresas se tornaram mais vulneráveis por possuírem menos recursos para se protegerem de forma que as seguradoras oferecem para este público prêmios acessíveis e limites de indenização inferiores a R$ 1 milhão.

Para Perego, o Marco Legal da IA, aprovado pelo Senado em 2024 e atualmente em análise na Câmara, será fundamental para alinhar a relação entre seguradoras, corretores e clientes. Ele ressalta que as principais tendências do mercado envolvem uma maior atenção aos riscos presentes na cadeia de valor, assim como a expansão do seguro para pessoas físicas, segmento que ainda está em fase inicial no Brasil.

Uma pesquisa da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) estima que, no ano passado, as companhias do ramo investiram quase R$ 20 bilhões em inovação. Várias delas já utilizam Inteligência Artificial em operações como análise de risco, emissão de apólices, processamento de sinistros e cadastro dos corretores. A regulação da tecnologia vem sendo acompanhada de perto pela organização, que tem várias propostas de melhoria ao projeto de lei. “É preciso dar segurança jurídica sem travar a inovação, respeitando as peculiaridades do setor”, diz Glauce Carvalhal, diretora técnica da confederação. Ela também ressalta que o novo marco regulatório deve valorizar a boa fé dos agentes de tratamento de dados, e garanta proteção aos segredos comerciais e industriais dos desenvolvedores.

Para Hellen Fernandes, especialista da Zurich Seguros, “O ciberseguro serve não apenas para proteção contra hackers, mas contra riscos relacionados à LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais] e à guarda de dados corporativos essenciais aos negócios.”

A executiva reforça que a empresa oferece três grupos de cobertura. O primeiro trata da resposta a incidentes, como vazamento de dados e ataques cibernéticos. O segundo grupo abrange coberturas diretas relacionadas à interrupção das operações. “Indenizamos o lucro cessante e criamos condições para que o cliente volte a operar. Esse grupo também inclui o pagamento de resgate, prática não recomendada pela seguradora, e o apoio de um “negociador de extorsão”, explica. Já o terceiro grupo cobre a responsabilidade civil por dados protegidos pela LGPD e por outras regulações internacionais.

Em 2024, a Akad Seguros registrou um crescimento de 177% no segmento de proteção digital, superando a média do mercado. A coordenadora da área na organização, Priscila Araújo, destaca que o desempenho está relacionado à democratização do acesso ao seguro cibernético, com soluções voltadas tanto para pequenas e médias empresas, mais vulneráveis a ataques, quanto para grandes corporações, que demandam coberturas mais complexas. “Nosso crescimento reflete essa combinação de alcance amplo, produtos modulares e distribuição digitalizada. Para manter o ritmo, continuamos investindo em inovação, análise de riscos em tempo real e educação do mercado sobre resiliência cibernética”, afirma.

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