A Aon está na reta final das negociações para adquirir a corretora de seguros USI por aproximadamente US$ 17 bilhões, incluindo dívida, em um movimento que pode ser anunciado já na próxima segunda-feira. De acordo com o The Wall Street Journal, o acordo com a gestora de private equity KKR representaria um passo relevante para a Aon ampliar sua presença no segmento de empresas de médio porte e reforçar sua trajetória de crescimento de lucro por ação a partir de 2028. A transação, uma das maiores do setor de corretagem de seguros nos últimos anos, também evidencia o apetite contínuo por consolidação em um mercado que combina nichos de risco, benefícios corporativos e consultoria previdenciária.
Com sede em Valhalla, Nova York, a USI atua como corretora e consultoria de seguros, com foco em gestão de riscos, benefícios a funcionários e consultoria de aposentadoria. A companhia registra cerca de US$ 3 bilhões em receita anual, segundo informações divulgadas em seu site. Esse perfil de faturamento coloca a USI como uma peça relevante para a estratégia da Aon de ganhar escala justamente no atendimento a companhias de médio porte, um segmento historicamente fragmentado e com margens atraentes para corretores que conseguem oferecer soluções integradas.
Movimentações da KKR e o momento do private equity
A KKR, que adquiriu a USI em 2017 a partir da Onex, aumentou sua participação na companhia ao longo dos anos, tornando-se o maior acionista em 2023. A possível venda para a Aon se soma a uma série de desinvestimentos relevantes da gestora neste ano, incluindo a venda da CoolIT, especializada em refrigeração para data centers, e a alienação do negócio de aeroespacial comercial e de defesa da Circor. No trimestre encerrado em junho, a KKR reportou um recorde de US$ 1,29 bilhão em vendas de ativos, o que reforça a leitura de que o private equity está aproveitando valuations elevados em setores estratégicos para realizar ganhos e devolver capital a seus investidores.
No caso específico da USI, o momento é particularmente oportuno. O setor de corretagem de seguros tem atraído múltiplos elevados, impulsionado pela resiliência das receitas baseadas em comissões e pela crescente demanda por consultoria em benefícios e gestão de riscos. Para a KKR, a transação representa a saída de um ativo que passou por um longo processo de profissionalização e expansão sob o guarda-chuva da gestora.
A estratégia da Aon e o impacto esperado no lucro
Para a Aon, o negócio tem um duplo efeito estratégico. Em primeiro lugar, amplia o alcance da companhia no universo das médias empresas, um segmento em que a USI construiu uma posição sólida. Em segundo lugar, a aquisição deve ter impacto positivo no lucro por ação já a partir de 2028, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo The Wall Street Journal. A Aon, que conta com um market cap de cerca de US$ 75 bilhões, é uma das maiores corretoras e consultorias do mundo, e a incorporação da USI reforçaria sua plataforma de serviços integrados.
Desempenho recente da Aon no mercado
A mais recente divulgação de resultados da Aon ocorreu em 29 de julho, quando a companhia reportou lucro ajustado de US$ 3,81 por ação no segundo trimestre, acima das estimativas dos analistas de Wall Street. Apesar do resultado positivo, as ações da Aon acumulam queda de 5,6% desde então, fechando a última sexta-feira a US$ 355,40. O movimento reforça a percepção de que o mercado está atento à capacidade de a companhia executar aquisições que gerem sinergias e crescimento consistente, especialmente em um ambiente de taxas de juros ainda relativamente altas e competição acirrada no setor de seguros.
Caso o acordo seja anunciado na segunda-feira, como antecipa o The Wall Street Journal, a transação deverá ser observada de perto pelo mercado, que avaliará o impacto no balanço da Aon e a capacidade de integração da USI. A expectativa é que a integração amplie o portfólio de produtos da Aon e aprofunde o relacionamento com clientes de médio porte, criando novas oportunidades de cross-selling em benefícios, aposentadoria e gestão de riscos.
O movimento também sinaliza a continuidade de um ciclo ativo de fusões e aquisições no setor de corretagem de seguros nos Estados Unidos, com players globais disputando ativos que ofereçam receitas recorrentes e base de clientes diversificada. A combinação Aon-USI, se concretizada, entrará para a história como uma das maiores transações já realizadas no segmento.

