“O papel do seguro deve ir além da reparação de danos. Precisamos ser vistos como agentes que ajudam a prever, adaptar e reconstruir.” A definição foi feita pelo CEO da Allianz Brasil, Eduard Folch, durante o painel promovido pela seguradora na Casa do Seguro, espaço da CNseg na COP30.
Ele enfatizou que é urgente integrar sustentabilidade, tecnologia e proteção financeira ao planejamento urbano. “Há uma grande oportunidade de falar sobre parcerias público-privadas e sobre como o setor de seguros deve colocar a agenda de sustentabilidade no centro do mercado”, salientou.
Folch apontou o crescimento acelerado das cidades como fator determinante para o aumento dos impactos climáticos e o surgimento de novas vulnerabilidades. “Em 1960, dois terços da população mundial viviam em áreas rurais; hoje, são 57%. No Brasil, são 87%”, pontuou.
INFRAESTRUTURA URBANA
Por sua vez, a head de Resiliência e Desenvolvimento de Negócios da Allianz Risk Consulting, Lena Fuldauer, alertou que a infraestrutura urbana não está preparada para enfrentar extremos climáticos, seja calor intenso ou eventos de chuva e enchentes.
Ela acrescentou que esses desafios se tornarão cada vez mais frequentes nas próximas décadas. “Precisamos construir cidades que evoluam e se adaptem. Até 2050, a maior parte da população mundial viverá em áreas urbanas. E a mudança climática traz mais umidade, mais secas, enchentes e contaminação de rios”, acentuou.
Já o diretor executivo de Automóvel, Massificados e Vida da Allianz Seguros, Fábio Morita, destacou que o mercado de seguros precisa atuar para mitigar os riscos futuros e contribuir com a adaptação às novas realidades climáticas. Na visão dele, para que os riscos sejam minimizados, é essencial apoiar os segurados em seus processos de adaptação. “Se tudo mais falhar, estaremos lá com a proteção do seguro”, sentenciou.
Por sua vez, Gabrielle Durisch, CSO (Chief Sustainability Officer) da Allianz Commercial, assinalou que o desafio climático é o maior risco corporativo dos últimos anos. Ela salientou que o mundo vive um momento de aceleração das mudanças climáticas, e as empresas estão começando a sentir o impacto. “As perdas econômicas associadas a desastres naturais aumentaram substancialmente na última década”, pontuou.
Ela frisou ainda que, a cada ano, as perdas econômicas provocadas por desastres naturais somam centenas de bilhões de dólares. A executiva não tem dúvidas de que esse impacto tende a crescer. “Há uma sobreposição entre regiões vulneráveis e aquelas que mais recebem investimentos econômicos, o que multiplica o efeito das perdas.
Posição semelhante tem o diretor executivo de Negócios Corporativos da Allianz Seguros e Managing Director da Allianz Commercial Brasil, Mauricio Masferrer. Segundo ele, os efeitos das mudanças climáticas, antes vistos como distantes, agora fazem parte da rotina nacional. “Esses eventos estão mais frequentes e mais intensos, sejam as tempestades no Sul, os alagamentos em São Paulo e as secas no Nordeste. E a infraestrutura brasileira ainda é muito vulnerável”, alertou.
Ele acrescentou que o mercado de seguros pode ajudar a sociedade nesses tempos de crise. Porém, admitiu que essa tarefa nunca foi tão complexa. “Os riscos evoluem em uma velocidade inédita, sejam tecnológicos, políticos ou climáticos”, afirmou.
Allianz na COP30: seguro precisa ser agente de adaptação climática, e não só de reparação

