As ações da Vistry abriram em forte queda na segunda-feira, após o Financial Times ter reportado no fim de semana que a Allianz Trade, uma das principais seguradoras de crédito, está reduzindo a cobertura oferecida aos fornecedores da construtora britânica, que atravessa dificuldades. A medida ameaça pressionar ainda mais o fluxo de caixa da empresa.
Segundo o FT, que cita fontes familiarizadas com o assunto, a seguradora informou aos fornecedores nas últimas semanas que está ajustando os limites de crédito da Vistry — uma mudança que pode reduzir a cobertura em até 70%. O nível final de cobertura dependerá do desempenho financeiro da empresa nas próximas semanas, de acordo com o relatório.
As ações da Vistry caíam cerca de 7% na bolsa de Londres às 04h27 (horário de Brasília).
Empresas normalmente contratam seguro de crédito para se proteger contra o risco de um cliente não pagar por produtos ou serviços. Quando as seguradoras reduzem a cobertura, os fornecedores frequentemente respondem exigindo pagamento antecipado. Como o seguro de crédito costuma ser distribuído entre várias seguradoras, os fornecedores podem optar por continuar fazendo negócios com a Vistry mesmo sem proteção total. O FT informou que o ajuste nos limites de crédito da Vistry se aplica apenas a novos acordos comerciais e não tem efeito retroativo.
As especulações sobre o status do seguro de crédito da Vistry surgiram pela primeira vez na terça-feira, quando Duncan Cooper, diretor financeiro da Travis Perkins, disse a analistas em uma teleconferência de resultados que o seguro de crédito havia sido retirado de uma “construtora nacional de porte bastante significativo”. Questionado sobre as pressões no setor, Cooper afirmou que o estresse era visível “em toda a cadeia de fornecimento”.
Os comentários desencadearam uma onda de vendas nas ações da Vistry, que fecharam quase 10% abaixo em Londres naquele dia. O FT, citando fontes, informou que Cooper estava se referindo à Vistry.
As ações da Vistry acumulam uma queda de quase 60% no último ano. Os problemas da empresa remontam a 2024, quando ela revelou ter subestimado os custos de construção, o que desencadeou uma série de alertas de lucros. Desde então, a Vistry reestruturou sua gestão e adotou medidas para reduzir custos.

