O acidente fatal registrado durante a montagem do show do cantor Daniel, na Expogrande 2026, em Campo Grande (MS), reacendeu um debate essencial no setor de seguros: a importância do seguro de Responsabilidade Civil Geral (RC Geral) em grandes eventos. Mais do que a fatalidade em si, o episódio expõe como a proteção securitária é decisiva para resguardar organizadores, promotores e empresas terceirizadas diante de riscos operacionais que podem gerar impactos humanos, financeiros e jurídicos de grandes proporções.
De acordo com informações publicadas pelo portal MSN, com base em apuração do Jornal Midiamax, o caso aconteceu no dia 11 de abril, durante a montagem da estrutura de palco. Um trabalhador de uma empresa terceirizada, ligada aos serviços de som e iluminação, teria sofrido um mal súbito enquanto atuava no local. Ele chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, já em parada cardiorrespiratória, mas não resistiu. A causa da morte segue sob investigação.
Em nota, a Dut’s Entretenimento, responsável pela produção dos shows da Expogrande 2026 em parceria com a Acrissul, confirmou a ocorrência e informou que acompanha o caso, além de colaborar com as autoridades competentes. A empresa também manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas da vítima.
Para Caroline Santos, gerente de RC Geral da Akad Seguros, situações como essa demonstram de forma clara como o seguro de Responsabilidade Civil Geral precisa estar inserido no planejamento de qualquer evento de grande porte, especialmente quando há operação com estruturas complexas, múltiplos fornecedores e alto volume de profissionais envolvidos.
“Na minha visão, o seguro de Responsabilidade Civil Geral, quando estruturado com cobertura para RC Eventos com adicional de RC empregador, é fundamental para amparar organizadores, promotores e empresas terceirizadas em situações como essa”, afirma.
Segundo a especialista, esse tipo de cobertura é acionado quando há caracterização de responsabilidade civil por danos causados a terceiros. Em casos de acidentes fatais durante a montagem de estruturas, a apólice pode responder pelo pagamento de indenizações por danos corporais ou morte, além de custear despesas com defesa judicial e eventuais acordos.
O ponto central, segundo Caroline, está justamente na capacidade de o seguro absorver financeiramente um sinistro de grande repercussão sem comprometer a continuidade das operações das empresas envolvidas.
“Mais do que isso, o seguro garante capacidade financeira para lidar com eventos de grande impacto, evitando que um sinistro dessa natureza comprometa a continuidade das operações das empresas envolvidas”, destaca.
Ela ressalta, porém, que a cobertura depende sempre da apuração de responsabilidade e das condições previamente estabelecidas na apólice contratada.
A terceirização, prática comum na realização de shows, feiras e eventos agropecuários, também amplia significativamente a exposição ao risco. Mesmo quando a montagem e a operação técnica são executadas por empresas especializadas, o organizador pode ser responsabilizado de forma solidária por falhas na execução dos serviços.
“Os principais riscos envolvem falhas na montagem de estruturas, acidentes com equipamentos de som e iluminação, além de danos ao público, trabalhadores ou outros fornecedores, incluindo ocorrências graves ou fatais”, explica.
Nesse cenário, o RC Geral com cobertura específica para eventos deixa de ser apenas uma exigência contratual e passa a atuar como uma ferramenta estratégica de mitigação de riscos. Além da cobertura para indenizações, ele assegura o custeio da defesa jurídica, um aspecto especialmente sensível em casos que envolvem repercussão pública e possíveis desdobramentos judiciais.
Caroline também destaca que uma gestão de risco mais eficiente pode incluir a exigência de apólices próprias por parte dos prestadores de serviço, criando uma camada adicional de proteção e reduzindo a concentração de responsabilidade sobre o organizador principal.
Além da transferência de risco, essa estrutura fortalece a governança do evento e contribui para uma operação mais segura e previsível.
“Do ponto de vista técnico, o seguro é um instrumento de transferência de risco, mas precisa estar alinhado a uma gestão eficiente do evento, com controle de fornecedores, cumprimento de normas técnicas e protocolos de segurança bem definidos”, conclui.
Em um setor onde grandes estruturas são erguidas em curto espaço de tempo e qualquer falha pode gerar consequências severas, o RC Geral se consolida como uma das principais ferramentas de proteção patrimonial e reputacional. Mais do que uma apólice, trata-se de um mecanismo essencial para garantir responsabilidade, continuidade operacional e segurança em toda a cadeia de eventos.

