Com negócio de R$ 28,4 milhões, Banco do Brasil vai focar área odontológica por meio de outra parceria e deixar o segmento de planos médicos
Deu empate. Nas duas parcerias que existiam entre Banco do Brasil e SulAmérica em seguros – em automóveis e saúde -, cada um levou um negócio. O BB desembolsou R$ 340 milhões e ficou com a Brasilveículos. A SulAmérica vai pagar R$ 28,4 milhões pela participação de 49,92% do BB na Brasilsaúde, o equivalente a 1,2 vez o valor patrimonial da empresa.
Com a operação, termina a reestruturação do BB em seguros, negócio que deve representar 24% do lucro do banco em 2012, ante os 13% atuais. O foco do BB será o odontológico, em que ele vai atuar por meio de aquisição ou parceria, segundo o vice-presidente de Novos Negócios de Varejo do BB, Paulo Rogério Caffarelli. Ele afirmou que o banco não tem interesse em atuar com planos de saúde.
“A aquisição de todas as operações da Brasilsaúde reforça a posição da SulAmérica nos no seguro saúde e no odontológico”, afirma o presidente da SulAmérica, Thomaz Cabral de Menezes. “Este é um mercado que apresenta um grande potencial de crescimento.” A receita de prêmios da carteira da Brasilsaúde no primeiro trimestre foi de R$ 35 milhões e R$ 206 milhões no ano passado.
Com 110 mil vidas seguradas, porém, ela representa uma pequena parte do negócio de saúde dentro da SulAmérica, que em separado da parceria com o BB tem uma carteira de 1.8 milhão de membros.
O fato de a SulAmérica competir paralelamente na área em que tinha parceria com o BB foi o fatorque levouao fimenãoà renovação da parceria.
Saída honrosa “O negócio é importante, pois tira a impressão de que a SulAmérica estava perdendo espaço, que não estava fazendo aquisição”, comenta o analista de seguros da Ágora, Filipe Acioli.
“Ela vai continuar crescendo em automóveis com novas parcerias e está com um trabalho comercial para estreitar o relacionamento com os corretores, canal que responde por mais de 90% das vendas”, diz o analista.
A estratégia de crescimento da seguradora nesse segmento passa pela possibilidade demais compras. “Estamos olhando para aquisições e a empresa está emummomento de liquidez favorável”, explica Arthur Farme, vice-presidente corporativo e de Relações comInvestidores da SulAmérica. A afirmação se refere ao caixa de R$ 1,5 bilhão que a companhia tem, por conta da abertura de capital que realizou em 2007, fora o dinheiro que vai entrar com a venda da participação na Brasilveículos.
Com o fim da parceria com o BB, a carteira de saúde passa a responder por 64%da receita da SulAmérica, contra 53% em dezembro. Já a de veículos perde espaço, da participação de 34% no final do ano passado para 22% nos três primeirosmeses do ano. O canal bancário representa 14% da receita da seguradora, ficando toda a outra parte com os corretores. Além da, agora ex, parceria com o BB, a SulAmérica distribui produtos no balcão de outras 20 instituições financeiras, como Citibank, Santander, HSBC e Banrisul.

