A manutenção do subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel, prorrogado por mais 30 dias pelo Governo Federal, busca aliviar os custos das transportadoras em meio à pressão internacional sobre o petróleo. No entanto, o combustível mais caro pode comprometer as margens das empresas e levar a cortes em áreas essenciais, como manutenção da frota, rastreamento e gerenciamento de riscos. Essas decisões podem elevar a exposição a sinistros e afetar também a avaliação dos seguros contratados.
Segundo Rogério Bruch, CEO do Grupo FETRA, o impacto do diesel sobre os seguros não é automático. A preocupação está nas decisões que as transportadoras podem tomar para equilibrar as contas, especialmente quando a redução de despesas atinge áreas importantes para a segurança da operação.
“Quando esse custo sobe, a margem fica mais apertada e a empresa começa a buscar alternativas para equilibrar a operação. E aí é que precisamos ter cuidado. Se essa economia começar a atingir manutenção de frota, renovação de veículos, rastreamento, treinamento ou gerenciamento de risco, naturalmente a exposição aumenta.”
A informação sobre a prorrogação do benefício foi divulgada pela Agência Brasil. A medida ocorre em um cenário de instabilidade no mercado internacional de petróleo, que pressiona os preços dos combustíveis e os custos da cadeia logística.
Para as seguradoras, o preço do diesel é apenas um dos fatores que podem influenciar a avaliação de uma transportadora. Histórico de sinistros, tipo de carga, rotas, idade da frota e medidas de prevenção também são considerados na análise e na definição dos valores das apólices.
“Se o aumento dos custos fizer a empresa reduzir manutenção, trabalhar mais com a mesma frota ou diminuir investimentos em prevenção, aí sim podemos ter uma mudança no perfil de risco e isso pode acabar aparecendo na precificação”, explica Bruch.
Nesse cenário, seguros de responsabilidade do transportador, roubo e desaparecimento de cargas e responsabilidade civil perante terceiros podem fazer parte da proteção das empresas, conforme as características de cada operação. O executivo ressalta, porém, que a cobertura financeira precisa estar associada a medidas preventivas, como rastreamento, telemetria, planejamento de rotas e treinamento dos motoristas.
A situação também reforça o papel consultivo dos corretores. Conhecer a operação do cliente permite identificar riscos e orientar a escolha de coberturas, limites e franquias adequados às necessidades da transportadora.
“O transportador não precisa apenas de alguém que apresente uma cotação uma vez por ano. Ele precisa de alguém que conheça a operação e consiga ajudá-lo a entender onde estão os riscos.”
A manutenção do subsídio oferece um alívio temporário, mas não elimina a pressão dos custos operacionais. Para Bruch, o seguro deve integrar a estratégia de continuidade do negócio, já que um sinistro relevante pode comprometer não apenas a carga, mas também o caixa, a operação e o relacionamento da transportadora com seus clientes.

