Notícias | 24 de janeiro de 2011 | Fonte: Diário do Grande ABC | Soraia Abreu Pedrozo

Seguro educacional depende de contrato fechado por escola

Já imaginou a possibilidade de algum dia perder o emprego – sem justa causa – e ter a mensalidade escolar de seu filho paga por até seis meses? Ou, em caso de invalidez ou morte ter os estudos assegurados até a conclusão do Ensino Médio?


Essa é a proposta do seguro educacional que, na teoria, funciona muito bem, mas na prática, parece que nem tanto. A principal questão, que acaba dificultando a disseminação do produto, é o fato de não haver a contratação individual da apólice. Apenas a instituição de ensino é que pode solicitar a cobertura.


 “Para as escolas ele é praticamente inviável, pois independe da adimplência. Ou seja, se a instituição contrata o seguro tem de estender a cobertura a todos, ou não consegue fechar contrato, o que faz com aqueles que atrasarem a mensalidade? É a escola quem paga”, justifica Oswana Fameli, presidente da AESP (Associação da Escolas Particulares do Grande ABC). “Acho que é um produto excelente, já que não podemos brincar com o futuro de nossos filhos e não sabemos o dia de amanhã. Porém, a forma como as seguradoras o colocam não incentiva nem as escolas e nem os pais, dando caráter obrigatório. Se fosse individual e facultativo, o risco não seria das escolas, mas das seguradoras.”


Há pelo menos dez anos atuando no setor de seguros, Álvaro Dabus, trabalha com o seguro, e sempre de modo coletivo. “Se é oferecido individualmente, é feito de forma tímida. Eu particularmente não conheço.”


O seguro educacional pode variar entre 2% a 5% do valor da mensalidade, afirma Dabus. “Tudo depende principalmente da quantidade de alunos e do valor da mensalidade”, diz. São levados em conta também o fato de ser Ensino Fundamental ou Médio e a idade média dos pais.


Em uma rede de escolas que atua na região, o diretor Maurício Fraçon conta que já foi sondado mais de uma vez para fechar o seguro. Na unidade de Santo André, que possui cerca de 700 alunos e tem mensalidade entre R$ 500 e R$ 600, daria média de R$ 18 por aluno. “Não é valor muito alto, mas acho que assegurar a educação dos alunos é obrigação da escola. Imagine se o colégio arcasse com R$ 10 mil todos os meses. Eu não posso obrigar o pai ou responsável a querer a cobertura. Prefiro então eu assumir esse risco.”


Fraçon conta que, se o pai perde o emprego, é feita análise da situação e então é realizado acordo. Ou, em casos de acidentes ou morte, a escola assume a responsabilidade dos custos até a formação.


Caso não tenha quem garanta os estudos do aluno, Dabus aponta que esse é um dos pontos principais do produto, evitando também o constrangimento gerado. “O brasileiro não costuma ter poupança. Essa é uma maneira de garantir a ausência do responsável.”


Oswana, entretanto, rebate. “Da forma como ele se apresenta, não convence.” De fato, nas escolas do Grande ABC não se tem notícia de alguma que tenha a apólice. A reportagem do Diário consultou pelo menos dez grandes redes e não encontrou nenhuma que a tenha.


De qualquer maneira, segundo dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados), o ramo faturou R$ 17,8 milhões entre janeiro e novembro de 2010, 9% a mais do que o registrado no mesmo período no ano anterior

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